Iniciativa da CATI com a Embrapa, RedeTecAgro capacita técnicas e extensionistas para transferência de conhecimento a produtores rurais
Uma rede composta por mulheres de diferentes regiões paulistas está se capacitando sobre temas relacionados à bovinocultura para fortalecer o agro paulista. Fruto de uma parceria da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) com a Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI) – órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) do Estado de São Paulo, a formação ocorre em formato híbrido e será concluída em junho de 2027.
Das 40 vagas disponibilizadas pela RedeTecAgro, 17 foram ocupadas por servidoras da CATI; 15 por técnicas de outras instituições, professoras ou pós-graduandas; e oito por estudantes de graduação. “A troca de experiências entre técnicas de diferentes regiões paulistas amplia repertórios, fortalece a liderança e reduz o isolamento profissional. Isso se reflete em maior segurança técnica, melhor comunicação com os produtores e maior protagonismo das mulheres no setor, sejam as técnicas ou as demais que terão modelos de referência para trilharem novos caminhos”, aponta a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sudeste e coordenadora da RedeTecAgro, Claudia de Mori.
Desenvolvida por 18 meses, a capacitação integra temas estruturados da pecuária com conteúdos emergentes como sustentabilidade, mudanças climáticas e agricultura digital. Durante as aulas, também estão sendo apresentados estudos de caso sobre os problemas da bovinocultura de corte e leite nas diferentes regiões paulistas, com discussão de alternativas tecnológicas para cada uma delas.
De acordo com a gestora estadual do Projeto CATI Leite, Ana Paula Roque, todos os estudos de caso serão apresentados pelas extensionistas rurais da CATI, mostrando a importância da experiência prática de campo nas tomadas de decisão dos pecuaristas. “A mulher, de maneira geral, tende a abordar os problemas de forma mais integrada e empática. Ao chegar a uma propriedade, não observa apenas os índices produtivos, a sanidade do rebanho ou a qualidade do solo; ela percebe as relações familiares, identifica quem participa das decisões, quem executa as atividades e quais são os desafios emocionais e organizacionais que impactam diretamente os resultados da produção. Essa visão sistêmica permite intervenções mais eficazes e sustentáveis. E, na pecuária leiteira, isso é de grande importância, pois, na maioria das propriedades atendidas pela CATI, a atividade é conduzida prioritariamente pela família”, ressalta Ana.
“Ao investir na qualificação técnica das extensionistas, a RedeTecAgro fortalece a transferência de conhecimento aos(às) produtores(as) e amplia a participação feminina em espaços estratégicos de decisão em um setor historicamente marcado por desigualdades. Mulheres capacitadas geram inovação, promovem sustentabilidade e contribuem para uma assistência técnica mais sensível às realidades regionais e aos desafios contemporâneos. Mais do que formar profissionais, essa iniciativa consolida lideranças e reafirma que o futuro do agro paulista será construído com conhecimento, competência e protagonismo feminino”, complementa Nádia Ferreira Dibiasi, do Grupo Técnico de Pecuária de Corte da CATI.



Estudantes de diferentes regiões
“O Estado de São Paulo possui uma agropecuária altamente tecnificada, diversificada e inserida em mercados exigentes, e isso exige que as técnicas estejam permanentemente atualizadas. Quando essas profissionais ampliam suas competências, elas aumentam sua capacidade de orientar decisões produtivas, reduzir riscos, melhorar eficiência e promover inovação no campo”, afirma Claudia.
Dados da Associação Brasileira das Entidades Estaduais de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer) revelam que as mulheres compõem cerca de 20% da força de trabalho no setor em nível nacional. Embora o levantamento date de 2018, a estatística ainda espelha a realidade atual. No Estado de São Paulo, o cenário é similar. Das especialistas agropecuárias da CATI, 93 são mulheres, mantendo o índice de 20% de representatividade feminina na extensão rural paulista. Atualmente, a CATI conta com 249 mulheres e 553 homens em seu quadro de servidores gerais, o que representa cerca de 30% de participação feminina no total da força de trabalho.
As técnicas da CATI que participam da RedeTecAgro atuam nas seguintes regiões: Araraquara, Avaré, Botucatu, Campinas, Catanduva, General Salgado, Guaratinguetá, Itapetininga, Itapeva, Jales, Limeira, Marília, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto.
“A assistência técnica é o principal elo entre a geração de conhecimento e a aplicação prática nas propriedades rurais. Investir na capacitação técnica de mulheres extensionistas não é apenas uma ação formativa, é uma estratégia de desenvolvimento, pois qualifica a transferência de tecnologias às propriedades e promove um agro mais sustentável, inclusivo e preparado para os desafios contemporâneos”, conclui a coordenadora da RedeTecAgro.
