Agricultora caiçara recebeu extensionistas rurais da CATI para avaliação de sua área de produção
No Sertão do Ubatumirim, em meio à Mata Atlântica, uma visita técnica à área de produção de agricultora caiçara transformou-se em encontro de saberes, resgatando uma forma de cultivo ancestral. A atividade, realizada no dia primeiro de outubro pelos extensionistas Kenia Barbosa e Carlos Kawatani, da Casa da Agricultura de Ubatuba, pertencente à CATI Regional Santos, teve como objetivo avaliar a possibilidade de implantação de uma roça tradicional, prática amparada pela Resolução das Roças e pela Resolução do Manejo de Nativas do Estado de São Paulo.

As roças tradicionais são fundamentais, não apenas para a subsistência das famílias, mas também para o abastecimento de alimentos locais, incluindo a comercialização em feiras e o fornecimento para programas como a merenda escolar. Nessas áreas, são cultivados alimentos essenciais como mandioca, cará, cará-roxo, inhame, batata-doce, milho e feijão, entre outros, garantindo segurança alimentar e fortalecendo a economia comunitária.

A visita também reforçou a importância da continuidade dessas práticas em harmonia com o meio ambiente, uma vez que a roça tradicional segue diretrizes que visam à conservação da Mata Atlântica. No caso da área avaliada, trata-se de um espaço no interior de um território de alta biodiversidade, muito bem preservado, onde a agricultura é praticada de forma a manter o equilíbrio com o ecossistema.

Além da avaliação da roça tradicional, a equipe também visitou outra área da mesma produtora, onde há o interesse em implantar um Sistema Agroflorestal (SAF). A proposta é enriquecer e manejar o espaço de forma sustentável, combinando espécies nativas que surgem naturalmente com o plantio e a renovação de culturas já existentes. O projeto de SAF conta com um consórcio de espécies frutíferas exóticas e nativas, como juçara, laranja, limão, cacau, cupuaçu, cambuci e outras frutas da Mata Atlântica. O SAF biodiverso e complexo, nesse contexto, representa uma forma de diversificar a produção, fortalecer a geração de renda e conservar o território, mostrando-se uma estratégia complementar à roça tradicional e igualmente alinhada à valorização do modo de vida caiçara.
(Com informações da CATI Regional Santos)