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Agricultura e Abastecimento
Diretoria de Assistência Técnica Integral - CATI

Casa da Agricultura de Ubatuba integra organização de oficina sobre beneficiamento e uso culinário da araruta realizada na Apta de Pindamonhangaba

Casa da Agricultura de Ubatuba integra organização de oficina sobre beneficiamento e uso culinário da araruta realizada na Apta de Pindamonhangaba

A extensionista Kenia Barbosa, da Casa da Agricultura de Ubatuba – ligada à CATI Regional Santos -,  participou da organização e execução da capacitação “Oficina de Beneficiamento Artesanal e Elaboração de Receitas com Araruta” (Maranta arundinacea), realizada na Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (Apta) de Pindamonhangaba, em parceria com a nutricionista Neide Rigo e a engenheira agrônoma Cristina Castro.

O evento reuniu cerca de 40 participantes e teve como foco o cultivo, o processamento e o uso alimentar da espécie nativa brasileira. “A araruta desapareceu das prateleiras e receitas, perdendo espaço para o polvilho da mandioca, de mais fácil processamento e maior rendimento, mas possui características únicas, altamente apreciadas na confeitaria fina, como a neutralidade do sabor e a textura única que empresta aos pratos. É, ainda, tradicionalmente cultivada por comunidades rurais e indígenas, valorizada por seu polvilho fino e altamente digestivo, além de representar uma alternativa sustentável e culturalmente significativa para os sistemas alimentares locais”, explica Kenia.

Programação

Durante a capacitação, os participantes receberam orientações sobre o plantio da araruta em Sistemas Agroflorestais (SAFs), com explicações conduzidas pelos engenheiros agrônomos Cristina Castro e Antônio Devide. Foi discutido como a espécie pode ser integrada a consórcios agroflorestais, contribuindo para a diversificação produtiva, o sombreamento do solo e a recuperação de áreas degradadas. A nutricionista Neide Rigo apresentou técnicas de processamento artesanal da araruta, demonstrando o passo a passo da extração do polvilho na cozinha, de forma simples e acessível. Além disso, foram preparados diversos pratos utilizando o polvilho, como biscoitos, bolos, cremes e abordadas outras possibilidades culinárias, como mingaus e sobremesas diversas.

A extensionista Kenia Barbosa ministrou palestra sobre a importância da sociobiodiversidade para o meio ambiente, a cultura e a alimentação, destacando o papel da araruta como alimento identitário e símbolo do resgate da cultura alimentar brasileira. “O cultivo e o consumo da araruta fortalecem a segurança alimentar, o manejo sustentável e a valorização dos saberes tradicionais em áreas rurais e urbanas”, salientou.

Ao longo da atividade, foram discutidos os aspectos nutricionais da espécie, que apresenta excelente digestibilidade e pode ser uma opção inclusiva na alimentação de pessoas com restrições alimentares. Também abordou-se o aproveitamento integral da planta: o bagaço da araruta pode ser utilizado como enchimento para travesseiros e casacos, ou mesmo como bucha artesanal, substituindo a bucha vegetal tradicional e contribuindo para o uso integral e sustentável dos recursos naturais.

Durante o encontro, também foram apresentadas aos participantes duas outras espécies produtoras de polvilho e de fácil cultivo:  araruta-ovo-de-pata (Myrosma cannifolia), que pode ser consumida sem processamento, apenas cozida como batata; e o ararutão (Canna edulis). “Enquanto esta última pode ser uma importante fonte alternativa de produção de amido, com maior rendimento que a araruta-verdadeira, a ovo-de-pata pode ser considerada uma importante alternativa para a diversificação da produção de tubérculos, contribuindo para o incremento da renda na agricultura familiar e para a resiliência de sistemas produtivos regenerativos em tempos de mudanças climáticas. A araruta-ovo-de-pata é saborosa, pouco fibrosa e apresenta um gosto suave, semelhante ao da batata, com boa aceitação e palatabilidade. Seu cultivo pode contribuir para ampliar a oferta de alimentos locais, podendo inclusive ser incorporada à merenda escolar e à alimentação cotidiana da população, fortalecendo circuitos curtos de produção e consumo baseados na sociobiodiversidade”, finalizou Kenia.

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