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CATI Regional Santos realiza oficina de produção de bioinsumos em Guarujá

CATI Regional Santos realiza oficina de produção de bioinsumos em Guarujá

Em mais uma atividade técnica de incentivo à produção de bioinsumos na região, a CATI Regional Santos e a Casa da Agricultura Ecológica (CAE) da Prefeitura de São Paulo organizaram, no dia 4 de novembro, uma oficina na Horta Sustentável Santa Cruz dos Navegantes, em Guarujá, que contou com a participação de integrantes de hortas da Baixada Santista, em especial do local sede e da Horta Paróquia São José, além de alunos do curso de Biologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) – Câmpus de São Vicente.

Segundo Hemerson Calgaro, extensionista da CATI Regional Santos, o dia foi de muito aprendizado. “Recebemos o Davi Ferreira, do Instituto Kairós, que compartilhou práticas de produção de bioinsumos a partir de resíduos de pescado; “água de vidro”, que usa cinzas como fonte de potássio; e enriquecimento de compostagem com soro. Além disso, ele trouxe bioinsumo produzido a partir da serrapilheira e expôs como se produz”, explica Calgaro, informando que o grupo de produtores, técnicos, estudantes e interessados presentes na atividade está se aprofundando no tema e demonstrando grande interesse na adoção dessas práticas, o que traz grandes benefícios na implantação e condução de hortas.

Segundo Calgaro, as capacitações voltadas à produção de bioinsumos está de acordo com a Política Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica (Peapo), estabelecida pela Lei n.° 16.684/2018, que define a transição agroecológica como “processo gradual orientado de transformação das bases produtivas e sociais para recuperar a fertilidade e o equilíbrio ecológico do agroecossistema, em acordo com os princípios da Agroecologia”.

“Além disso, a Peapo reconhece a adoção, pelos agricultores, de práticas agroecológicas como um fator determinante para a transição. Sendo assim, no cenário de implementação de transição agroecológica e produção orgânica, o uso de bioinsumos apresenta-se como importante e eficaz tecnologia social para viabilização técnica, econômica e ambiental da atividade agrícola. Sob este regramento estadual, temos atuado em parceria com a CAE para capacitar os agricultores, para que eles mesmos elaborem os bioinsumos, o que garante redução de custos e maximização dos resultados”.

Programação

O engenheiro agrônomo David Ferreira, do Instituto Kairós, responsável pela Unidade Demonstrativa de Bioinsumos da Prefeitura de São Paulo, localizada em Parelheiros, na Zona Sul da capital, demonstrou, na prática, a elaboração de alguns bioinsumos, como o “Água de Vidro”, o N1 e um outro elaborado com casca de camarão (o qual tem efeito fungicida). “Este último foi elaborado para atender a uma necessidade nossa na CAE, pois o verão se aproxima e com ele as altas temperaturas e pluviosidade, o que proporciona condições favoráveis ao desenvolvimento de doenças fúngicas nas culturas dos mais de 250 agricultores assistidos. Estávamos com dificuldade em conseguir a casca de camarão na nossa região, por isso, novamente somamos esforços com a CATI e organizamos esta oficina, aqui em Guarujá, onde há mais disponibilidade desse insumo”.

O “Água de Vidro” é um bioinsumo agroecológico preparado com cinza e cal, que tem como objetivo fortalecer as plantas, protegendo-as dos efeitos extremos do clima (altas temperaturas e geadas), inclusive veranicos, além de pragas e doenças. “O nome deve-se ao alto teor de silício, um elemento que atua como uma barreira física protetora, em especial na superfície foliar, tornando a planta mais resistente. A aplicação é direcionada em toda a planta, sendo ideal que seja feita nos horários mais frescos do dia. Além do silício, este bioinsumo fornece nutrientes como potássio e cálcio”, esclarece Ferreira.

Segundo o agrônomo, a nomenclatura de N1 foi dada a esse bioinsumo referindo-se ao nitrogênio, seu principal nutriente, que é obtido a partir de restos de peixes (menos as vísceras). “Esse bioinsumo foi elaborado em nossas capacitações e distribuído para as hortas da Baixada Santista”.

O bioinsumo à base de casca de camarão é outra solução sustentável que utiliza um resíduo da pesca; é rico em nutrientes e na substância quitosana (biopolímero natural que possui propriedades benéficas para o fortalecimento dos tecidos vegetais, crescimento e defesa vegetal). Apresenta ação antifúngica, melhora a absorção de nutrientes, como fósforo e nitrogênio, além de ser também um condicionador de solo, restabelecendo o equilíbrio e a vida microbiana.

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