Sistema de terraceamento foi implantado em uma área de 60 hectares na Fazenda Santo Urbano
A Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) Regional Limeira, por meio da Casa da Agricultura de Corumbataí, implantou um sistema de terraceamento em uma área de 60 hectares na Fazenda Santo Urbano, localizada em Corumbataí, interior de São Paulo.
A iniciativa, que contou com o apoio técnico do engenheiro agrônomo Marcelo Kviatkovski, da CATI Regional Limeira, surgiu a partir de uma consulta do produtor João Vitorino à Casa da Agricultura de Corumbataí, que relatou preocupações com a formação de sulcos erosivos em sua lavoura de soja. O produtor explicou que as intensas chuvas ocorridas durante a implantação da safra 2024/2025, nos meses de novembro e dezembro, causaram perdas significativas de solo por erosão, impactando a produtividade e contribuindo para o assoreamento de recursos hídricos na propriedade.
João Vitorino também relatou que a área em questão vinha sendo cultivada com sucesso com culturas de inverno, como sorgo e trigo, nos anos anteriores. No entanto a escassez hídrica na última safra de inverno comprometeu o desenvolvimento do trigo, inviabilizando a formação de palhada essencial para a proteção do solo no plantio da safra principal de soja. “Como consequência, a área ficou desprotegida e vulnerável à ação das chuvas concentradas na primavera, resultando na formação das erosões em sulcos”, explicou.

Diante da situação, o engenheiro agrônomo Marcelo Kviatkovski planejou o levantamento topográfico da área a ser terraceada logo após a colheita da soja. Para essa etapa, foram utilizados conhecimentos adquiridos em uma capacitação de operadores de drones promovida pela CATI em Botucatu. Um voo técnico autônomo foi realizado sobre a área afetada pela erosão, utilizando o software Drone Deploy para o planejamento.
Foram implantados 11 pontos de controle com tecnologia GNSS RTK para garantir a precisão das imagens capturadas pelo drone, possibilitando a posterior aplicação de piloto automático nos tratores para a construção dos terraços.
As imagens aéreas e as coordenadas dos pontos de controle foram encaminhadas para o técnico Carlos Reys Vucomanovic, da sede da CATI em Campinas, que realizou o processamento dos dados e o cálculo do Modelo Digital do Terreno (MDT), além da geração do ortomosaico das imagens. O trabalho permitiu calcular as curvas de nível no software QGIS e projetar os terraços em nível e desnível, soluções essenciais para a correção dos problemas de erosão identificados na área.
A etapa final de demarcação dos terraços contou com a parceria da Coopercitrus, que disponibilizou um sistema GNSS RTX com piloto automático para ser instalado no trator do produtor. Essa tecnologia permitiu que o trator percorresse precisamente as linhas dos terraços projetados, abrindo sulcos para demarcar o local exato para a posterior construção com equipamentos adequados.
Após a demarcação precisa, o produtor João Vitorino realizou a construção dos terraços utilizando arado de discos e arado terraceador. Complementando a ação de conservação do solo, foi realizada a semeadura de Brachiaria ruziziensis na área, uma prática que auxilia na cobertura do solo e na prevenção de futuras erosões.