13 de maio – Dia do Zootecnista – Profissionais fazem a diferença na extensão rural paulista
Pela primeira vez em seus 55 anos de história, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, tem em sua coordenação um zootecnista, Francisco Martins, e na escala de substituição outra zootecnista, Fabiana Gouvêa.
O que faz um zootecnista? O zootecnista possui conhecimento das diversas fases da cadeia produtiva dos animais, estando habilitado ao trabalho em situações referentes à criação, por exemplo, de rebanhos de bois, aves, cabras, ovelhas, porcos e cavalos. Além disso, o profissional poderá desempenhar suas funções em setores como gestão, consultoria e planejamento agropecuário.
Atualmente, a CATI conta com 23 zootecnistas em seu quadro de servidores, que atuam diretamente no campo ou na condução de projetos em nível estadual. E, pela primeira vez, tem um profissional da área como coordenador. “Em consonância com os demais profissionais da instituição, os zootecnistas têm apoiado os produtores no fortalecimento da gestão nas propriedades e nas organizações rurais. Seu trabalho tem foco no aprimoramento e na potencialização da produção de origem animal com qualidade, bem como a manutenção do bem-estar dos animais e o desenvolvimento sustentável do agronegócio, com base no tripé social, econômico e ambiental”, avalia Francisco Martins, coordenador da CATI.

Fundamental para o desenvolvimento das ações de assistência técnica e extensão rural (Ater), o zootecnista se encaixa na condução de políticas públicas estruturais, uma vez que tem, em sua formação, treinamento nas áreas de manejo, nutrição e melhoramento genético dos rebanhos. Além disso, tem formação em disciplinas de caráter socioeconômico, as quais são importantes para construção e mudanças de paradigmas que contribuam com a segurança alimentar.
Nesse contexto de segurança alimentar e execução de políticas públicas, a CATI conta com a zootecnista Fabiana Gouvêa, diretora da CATI Regional Jaboticabal e recém-empossada na escala de substituição do coordenador, uma representação da importância do trabalho desses profissionais na área de gestão rural e de programas. À frente da coordenação dos Programas Alimenta Brasil – PAA-Cesta Verde (que já levou alimentos produzidos por 2.500 agricultores familiares a 450 mil famílias paulistas em situação de vulnerabilidade) e Município Agro – Ranking Paulista, Fabiana celebra os resultados que, mais que dados numéricos, se tornaram sinônimo de transformação de vidas no campo e na cidade.

“Escolhi a profissão por causa da sua importância na produção de alimentos de forma eficiente, com alta produtividade e de forma sustentável. A Zootecnia é uma profissão versátil, que abrange muitas áreas de atuação, desde o melhoramento genético até o bem-estar animal, mas com uma ampla capacitação na área de gestão agropecuária. E exercer esta profissão na CATI me abriu as portas para trabalhar diretamente com os produtores e as famílias rurais, de uma forma muito gratificante; afinal, ser mulher zootecnista e extensionista rural é transpor obstáculos diariamente, pois a nossa função requer diversas competências, que impactam e até reescrevem a vida de produtores e produtoras, a cada atendimento e/ou serviço prestado”.
CATI: local de trabalho e de missão
A história do extensionista da CATI Regional Santos, Newton José Rodrigues, formado em Zootecnia pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, teve início em 1979. Ele nos conta que escolheu a Zootecnia como profissão porque tinha fascinação pelo melhoramento genético e a nutrição animal, pilares dessa ciência e arte.
“Ao longo do tempo, constatei que os aspectos técnicos somente poderiam proporcionar bons resultados na criação animal se fossem resultado da interação com fatores econômicos e sociais. E assim, emergiu no jovem zootecnista Newton o sonho de ser extensionista rural, pois conseguiria mobilizar diferentes disciplinas no exercício da missão”, conta ele, de forma nostálgica, informando que, em janeiro de 1984, foi admitido na CATI. “Assim iniciei a caminhada que me proporcionou plena realização profissional”.
Como extensionista da CATI, Newton trabalha com agricultores familiares, pescadores artesanais, quilombolas, indígenas e mulheres artesãs. “Encarei com alegria o desafio de estudar Economia, Sociologia e Psicologia, com ênfase para os tipos psicológicos de Jung, para compreender os fatores que determinavam o sucesso ou o insucesso dos projetos de desenvolvimento rural. Em 2005, fui duplamente diplomado doutor, pela École Nationale Supérieure Agronomique de Rennes e pelo Centro de Aquicultura da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Não foi preciso fazer o mestrado, pois a extensão rural me deu bagagem para concluir diretamente o doutorado no Brasil e na França”, celebra o zootecnista.
Atualmente, Newton já está há alguns anos trabalhando em condição de abono permanência (quando o servidor já completou o tempo para aposentadoria). Entre seus diversos trabalhos, o zootecnista tem, como foco de sua missão extensionista, projetos de construção da Economia Solidária, assim como o desenvolvimento de sistemas de criação de uma espécie herbívora de peixe em aldeias indígenas da Baixada Santista.
“A extensão rural me impõe desafios todos os dias, assim como me proporciona realizações, o que me impede de experienciar a aposentadoria”, fala com um sorriso no rosto, deixando uma mensagem: “A extensão rural oferece aos zootecnistas uma gama ampla de possibilidades, que vai desde os aspectos inerentes à criação animal, como atuação nas diferentes áreas que interagem na construção da realidade dos grupos beneficiários desse serviço. Há, no entanto, a necessidade de se ter compromisso, paixão e orgulho de ser extensionista!”
O zootecnista Diego Barrozo tem 39 anos de idade e, há 10 anos, atua como extensionista da CATI. “Sou natural de Jaboticabal (SP) e cresci passeando pelo campus da Unesp, onde tive os primeiros contatos com estudos e produção agropecuária desenvolvidos em ambiente acadêmico. Além desse privilégio, tenho uma tia que é produtora rural e conduzia uma horta comercial no sítio onde passei diversas férias, entre a ‘roça’ e a criação de galinhas, porcos e carneiros. Com essas raízes, a escolha por um curso de Ciências Agrárias foi natural; e a Zootecnia me conquistou quando percebi a versatilidade e o potencial desse profissional”, explica Diego.

Ao final da graduação, ele foi aprovado em concurso da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, ingressando como assistente agropecuário na Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro), em 2009, sendo, posteriormente, transferido para a extensão rural. “A extensão é minha paixão, pois cresci conhecendo o trabalho da Casa da Agricultura e acompanhando o meu avô, que, além de agricultor, era saqueiro no Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes (DSMM), atual CATI Sementes e Mudas.
A partir desse momento, o zootecnista conta que começou as suas atividades ‒ para não dizer aventuras (segundo ele, a extensão rural é um mundo a ser explorado diariamente) ‒ na Casa da Agricultura de Guaraci, cidade com cerca de 10 mil habitantes e 350 propriedades rurais, pertencente à área de atuação da CATI Regional Barretos. “Nesse município, atuei apoiando, principalmente, os pecuaristas de gado de corte e leite, tendo como orientação geral de trabalho a gestão global da propriedade e os ensinamentos da minha graduação, os quais possibilitaram fazer ações em toda a cadeia produtiva, com enfoque na qualidade de vida dos produtores e seus colaboradores; no bem-estar e na sanidade dos rebanhos; assim como na promoção da sustentabilidade ambiental”.
Após alguns anos, Diego foi convidado a integrar a equipe de assistentes da CATI Regional Barretos, onde passou a atuar também no planejamento e na articulação regional, principalmente da cadeia produtiva da bovinocultura leiteira, implantando, em conjunto com outros técnicos da unidade e apoio do diretor regional, o Projeto Mais Leite, Mais Renda, provendo tecnologia a assentados do município de Colômbia e aos fornecedores de leite do laticínio instalado na região. “Esse projeto contou com a participação de diversas prefeituras, instituições de ensino e pesquisa, bem como de empresas envolvidas com a cadeia produtiva. Durante sua execução, pudemos acompanhar e contribuir com a evolução dos produtores, com o aumento de seu desenvolvimento técnico e também com a mudança de manejo e melhoramento genético dos animais e das pastagens. Nesse contexto, articulei a fundação de uma associação e de uma cooperativa e organizei mais de 20 eventos ‒ como visitas técnicas, cursos, palestras e Dias de Campo ‒, para melhorar a renda e a qualidade de vida de quase uma centena de famílias rurais da região, o que me trouxe grande satisfação como profissional e pessoa”.
Atualmente, como diretor da CATI Regional Mogi Mirim, afirma que ser zootecnista é ter a possibilidade de melhorar a vida dos produtores e de suas famílias; ter um olhar para o bem-estar dos animais, garantindo a qualidade e segurança dos produtos de origem animal para toda a população. “Para meus colegas zootecnistas, que atuam na extensão rural, o que tenho a dizer é que sei das dificuldades que enfrentamos, mas com dedicação, união e prática do que aprendemos em nossa formação acadêmica, é possível transformar vidas e contribuir para o desenvolvimento sustentável do nosso Estado e do Brasil”.