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Agricultura e Abastecimento
Diretoria de Assistência Técnica Integral - CATI

Revista Internacional Plant Pathology publica trabalho da Esalq/USP em parceria com a CATI

Revista Internacional Plant Pathology publica trabalho da Esalq/USP em parceria com a CATI

Revista Internacional Plant Pathology publica trabalho da Esalq/USP em parceria com a CATI

Publicação tratou da virose do endurecimento dos frutos do maracujazeiro e envolveu pesquisadores da Esalq, bolsistas da Fapesp, técnicos da CATI e produtores rurais.

 

A revista internacional Plant Pathologyeditada pela BSPP (The British Society for Plant Pathology), publicou, no primeiro trimestre deste ano, os resultados de um trabalho sobre virose do endurecimento dos frutos do maracujazeiro, desenvolvido pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) Regional Piracicaba e produtores rurais de três municípios. 

Doença predominante em quase todas as regiões produtoras de maracujá, a virose do endurecimento dos frutos é causada pelo potyvirus Cowpea aphid-borne mosaic virus (CABMV), que pode causar sérios danos nas plantações e levar a perdas significativas na produção. 

O trabalho envolveu o pesquisador da Esalq, Jorge Alberto Marques Rezende, os bolsistas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) − Gabriel Madoglio Favara, Felipe Franco de Oliveira, Vinicius Henrique Bello −, os técnicos da CATI, Décio Leite, Gustavo Ferraz de Arruda Vieira, Ricardo Stipp Paterniani, e os produtores rurais André Luiz Quagliato, João Rodrigues de Oliveira Neto e Agnaldo Favero. 

Embora os sintomas da virose do maracujá possam variar, incluem-se geralmente mosaico, deformações nas folhas e frutos e redução no tamanho dos frutos, com significativas perdas para a cultura. Além disso, o CABMV reduz a vida útil da cultura de 36 meses para aproximadamente 18 meses, o que, consequentemente, diminui a renda do produtor. Os sintomas podem aparecer em diferentes estágios de desenvolvimento da planta e quanto mais cedo surgem, mais impactos apresentam. 

A transmissão do vírus ocorre principalmente por meio de insetos vetores, de modo não persistente por pulgões de várias espécies, que não colonizam plantas de maracujazeiro, exceto em circunstâncias excepcionais. O CABMV também pode ser transmitido mecanicamente durante o cultivo, mas não por sementes de maracujá ou polinização manual. Uma vez que o CABMV é introduzido em um pomar por pulgões migrantes virulíferos, a disseminação secundária é rápida e pode atingir 100% de incidência em quatro a oito meses. Esses insetos se alimentam da seiva da planta e, nesse ato, podem transmitir o vírus de uma planta infectada para uma planta saudável. 

Segundo o técnico da CATI Regional Piracicaba, engenheiro agrônomo Gustavo Vieira, a doença tem desmotivado os agricultores a continuarem na cultura do maracujá, em decorrência dos altos custos da renovação antecipada da lavoura. “Considerando que a produção de plantas sintomáticas gera frutos com aspecto empedrado, frutos menores, com baixo valor de mercado e plantas com baixa produtividade, torna-se pouco atrativo insistir na cultura”, explica.

 

 

Atualmente, de acordo com o técnico da CATI, o custo da reforma da área, somente considerando as mudas para um hectare, gira em torno de R$ 3.000,00. 

O estudo, conduzido em três propriedades, nos municípios de Santa Bárbara d´Oeste, Rafard e Capivari, utilizou a variedade Gigante Amarelo. 

As mudas foram protegidas de insetos em estufa, até atingirem cerca de um metro de altura, sendo posteriormente transplantadas nas áreas correspondentes e conduzidas dentro dos padrões agronômicos estabelecidos pelas recomendações técnicas vigentes para a cultura e o sistema de condução tradicional em espaldeiras de um fio de arame. 

De acordo com o docente do Departamento de Fitopatologia e Nematologia da Esalq/USP, Jorge Rezende, o trabalho contribuiu com uma alternativa válida para prolongar o ciclo da cultura. O estudo determinou que, com o uso do roguing (erradicação sistemática de plantas sintomáticas), é possível minimizar os danos no início da condução do maracujazeiro, de forma a conseguir estender o período de aproveitamento econômico da lavoura. 

Os maracujazeiros, após o transplante no campo, foram inspecionados semanalmente, de modo que as plantas sintomáticas encontradas durante cada inspeção foram erradicadas e removidas. As lavouras foram inspecionadas até a remoção de 20% das plantas. 

O acompanhamento periódico continuou até atingir 100% das plantas infectadas, no entanto optou-se por não realizar a erradicação das plantas, após atingir 20%, em função do aproveitamento comercial da cultura. 

Após todas as análises dos resultados obtidos no trabalho, recomenda-se que todos os produtores das regiões produtoras de maracujá adotem a prática de eliminar as plantas infectadas, uma ou duas vezes por semana, para o manejo eficiente da doença, com o intuito de prolongar o ciclo da cultura. 

A virose do maracujá é uma doença que pode causar sérios prejuízos à produção de maracujá. A prevenção e o controle da doença são essenciais para garantir a qualidade e a produtividade das plantações. 

O trabalho está disponível via linkhttps://bsppjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/ppa.13721

 

(com informações da CATI Regional Piracicaba)

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