Dia Mundial do Feijão – 10/2
Você sabia que o feijão carioca, o mais consumido no Brasil, é paulista?
Hoje, 10 de fevereiro, é celebrado o Dia Mundial do Feijão. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em 2019.
Como dupla perfeita do arroz, compõe o prato mais tradicional do cardápio brasileiro, sendo um dos alimentos mais consumidos no país. E também é ingrediente de outro prato que é paixão nacional: a feijoada!

Por conta de achados arqueológicos na América do Sul, há cerca de 10.000 a.C., o feijão tem, entre suas prováveis origens, a região onde atualmente é o Peru. No Brasil, diversos tipos são cultivados (carioca, preto, rosinha, fradinho etc.), mas o feijão carioca é o mais consumido. E a notícia incrível é que essa história teve início na Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA) do Estado de São Paulo!
O feijão carioca foi desenvolvido pelo Instituto Agronômico (IAC)/Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), em 1969, a partir de cultivar identificada pelo trabalho da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI). Ela foi descoberta pelo engenheiro agrônomo Waldimir Coronado, da Casa da Agricultura de Ibirarema (ligada à CATI Regional Presidente Prudente). O agrônomo fez um plantio, na década de 1960, na Fazenda Bom Retiro, da variedade de feijão chumbinho, de coloração marrom-escura, encontrou alguns feijões “manchadinhos”, frutos de mutação genética natural; plantou essas sementes, fez seleção massal, descobriu que era um material mais resistente, menos suscetível a doenças e com maior produtividade; fez a multiplicação sozinho, distribuiu para produtores plantarem, depois enviou à Dira (Delegacia Regional Agrícola – atual CATI Regional), que enviou para análises no IAC, o qual, após intensas pesquisas, multiplicou o material que até hoje é objeto de melhoramento genético.

Curiosidade: o nome do feijão foi escolhido em alusão aos porcos criados na fazenda, que possuíam manchas escuras sobre o fundo de cor creme, sendo conhecidos como cariocas. Um funcionário olhou para as sementes e exclamou: “Esse feijão parece os porcos cariocas!”
SAA investe continuamente no desenvolvimento da cultura do feijão
Uma contribuição para o aumento de produção e novas áreas da cultura do feijão no Estado de São Paulo e abertura de novos mercados para a agricultura familiar. Assim pode ser definida a recente entrega de seis novas cultivares desenvolvidas pelo Centro de Grãos e Fibras do IAC, para a CATI Sementes e Mudas que está fazendo a multiplicação das sementes com a sua chancela de qualidade e comercialização, com preços acessíveis aos pequenos produtores.
As novas cultivares são:
- IAC 2152 – feijão de coloração vermelha, de tamanho pequeno e alto potencial produtivo, conhecido no mercado internacional como small red. Essa cultivar poderá ser utilizada para práticas de exportação, mas sua principal destinação será para atender ao mercado interno;
- IAC 2153 – cultivar de tegumento rajado arredondado tipo cranberry, voltada principalmente para a exportação, sendo muito apreciada na Europa;
- IAC 2154 – cultivar de tegumento branco, com grãos pequenos. Inédita no Brasil, a IAC 2154 já atrai o interesse de empresas para a fabricação de farinha de feijão branco;
- IAC 2155 – feijão de coloração vermelha, com excelente qualidade de grão, é conhecido como bolinha vermelho. É muito apreciado nos Estados de Santa Catarina e Minas Gerais;
- IAC 2156 – feijão de coloração vermelha, com formato longo e tubular. Conhecido como Dark Red Kidney, é muito apreciado em países europeus. A cultivar está em fase de produção e já desperta interesse das principais empacotadoras nacionais;
- IAC 2157 – feijão branco intenso, com poucas estrias, com grãos bem pesados, em formato alongado e tubular. Essas características o qualificam para o mercado internacional.
“Esse é mais um passo na parceria que já dura décadas: a pesquisa desenvolve a tecnologia e a extensão rural a transforma em novas alternativas de renda, emprego e fixação das famílias no campo com qualidade de vida. Nesse contexto, a multiplicação de sementes de feijão − a partir dessas novas cultivares que têm potencial e demanda para os mercados interno e externo − é mais um instrumento de extensão rural para incentivar a organização rural entre os agricultores familiares, para ganho de escala e profissionalização da gestão, que respondem pela maior parte da produção de feijão no âmbito das Regionais da CATI de Barretos, Avaré e Itapeva, principais localidades produtoras do Estado de São Paulo, as quais têm o feijão carioca como detentor de 80 % do mercado”, explica Gerson Cazentini, diretor da CATI Sementes e Mudas, departamento que também fez seleção do material do feijão carioca e produziu as variedades Carioca Precoce e CATI Taquari.

Um pouco de história do Dia Mundial do Feijão
No Dia Mundial do Feijão também é celebrado um grupo de sementes secas comestíveis de leguminosas chamado de Pulses, como lentilha, grão-de-bico e ervilha. Elas possuem um papel importante como alimentos sustentáveis e relevantes para o combate da fome no mundo.
Segundo a FAO, o governo de Burkina Faso propôs declarar a observância anual, no dia 10 de fevereiro, das Pulses Mundiais. O principal objetivo dessa iniciativa é aumentar a conscientização sobre a contribuição das Pulses – que possuem um papel importante como alimentos sustentáveis e relevantes para o combate da fome no mundo –, preservando-as para segurança alimentar, nutrição e adaptação às alterações climáticas, com base no sucesso do Ano Internacional das Pulses, realizado em 2016 pela Organização das Nações Unidas (ONU).