Secretaria de
Agricultura e Abastecimento
Diretoria de Assistência Técnica Integral - CATI

Calagem como prática de manejo do solo é tema de Dia de Campo realizado pela CATI

Calagem como prática de manejo do solo é tema de Dia de Campo realizado pela CATI

Calagem como prática de manejo do solo é tema de Dia de Campo realizado pela CATI

Realizado ontem, 3 de março, pela CATI Regional Mogi Mirim, por meio da Casa da Agricultura de Artur Nogueira, em conjunto com a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Artur Nogueira, o evento marca o início da II Campanha de Calagem – Outono 2022

O Dia de Campo “Calagem: Prática Fundamental de Manejo de Solo” reuniu cerca de 100 pessoas − entre produtores, extensionistas, pesquisadores e representantes de diversos segmentos agropecuários −, público que acompanhou atentamente a programação prática e teórica, dividida em palestras e estações instaladas no Sítio Santa Maria.

Sobre o evento, o secretário municipal de Agricultura de Artur Nogueira e produtor rural, Odair Boer, falou sobre a importante parceria entre a prefeitura e a CATI, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, responsável pela extensão rural no Estado de São Paulo. “A parceria entre o Estado, por meio da CATI, e o município tem dado muito certo. Este é o segundo ano que desenvolvemos a Campanha de Calagem e este Dia de Campo é um excelente espaço para que os produtores conheçam novas tecnologias e obtenham informações importantes para aprimorar a sua atividade”.

Rosa Moreno, produtora de Frutas em Artur Nogueira, concorda com o secretário. “Além de ser um evento em que podemos obter mais conhecimento, é um espaço para trocarmos experiências com outros produtores, pesquisadores e técnicos, o que no nosso dia a dia não é possível”.

O coordenador da CATI, Alexandre Manzoni Grassi, destacou que essa ação integra um trabalho de anos realizado pela extensão rural na divulgação de tecnologias e no incentivo à adoção de práticas conservacionistas. “A conservação do solo é uma das bases do trabalho extensionista que desenvolvemos em parceria com a pesquisa, as prefeituras e as empresas ligadas ao setor. E este Dia de Campo, que tem a calagem como tema principal, é uma excelente oportunidade de divulgar uma tecnologia que garante um solo mais equilibrado, o que impacta positivamente na conservação dos recursos hídricos, na disponibilização de áreas agricultáveis e na produtividade, com consequente geração de emprego, renda e benefícios sociais e ambientais no campo e na cidade”.

Segundo Diego Barrozo, diretor da CATI Regional Mogi Mirim, a escolha por abordar a calagem (técnica de aplicação de calcário no solo) como tema central, se deu por conta da Campanha iniciada no ano passado pela Casa da Agricultura e pela prefeitura municipal. “Em nossa região, que tem o cultivo de grãos, especialmente milho e soja, como carro-chefe − mas também conta com lavouras de citros, flores, mandioca e hortaliças −, a escolha de se realizar o Dia de Campo com foco na calagem se deu por essa ser uma técnica de baixo custo, utilizada no preparo do solo agrícola visando neutralizar a sua acidez, aumentar sua produtividade e, consequentemente, sua rentabilidade”.

Sobre a programação, Barrozo acrescenta que, para aproveitar a presença de produtores da região, foram incluídas palestras com outros temas de interesse desse público. “Com apoio de parceiros e da equipe da Regional, foi possível esclarecer dúvidas sobre Crédito Rural (Equipe Sicredi); Novas regras para utilização da Rodovia dos Agricultores (Equipe Sindicato Rural – Artur Nogueira); Nota fiscal do produtor rural (Metas Consultoria); Cadastro Ambiental Rural – CAR (Antônio Marcos de Oliveira, engenheiro agrônomo da CATI)”.


Calagem e seus benefícios: programação prática mostra importância da análise de solo, tipos de calcário e detalhes de aplicação e regulagem de equipamentos
 

De acordo com Luiz Antonio Dias de Sá, engenheiro agrônomo da CATI Regional Mogi Mirim e um dos organizadores do evento, incentivar a calagem é a base para o desenvolvimento de uma agropecuária sustentável. “Os benefícios da calagem vão além da simples correção da acidez do solo. A aplicação de calcário nas lavouras e pastagens implica maior produtividade, o que é sinônimo de melhores rendimentos para os produtores, independente da extensão da área, tendo entre seus principais benefícios o equilíbrio do pH do solo; o aumento de nutrientes como cálcio e magnésio; diminuição da toxicidade de alumínio e manganês; contribuindo para o crescimento radicular das plantas, influenciando positivamente na produtividade, com uma técnica de baixo custo”. 

Nas três estações instaladas em uma área de plantio de citros (laranja), os participantes puderam ver in loco a coleta de amostras de solo; entender a importância da calagem e os tipos de calcário disponíveis no mercado; bem como aprender como deve ser feita a regulagem das máquinas para uma aplicação adequada e com qualidade. 

Na 1.ª estação, o público aprendeu os procedimentos corretos para uma boa coleta de amostras de solo. “A amostragem do solo é o primeiro passo para se fazer a calagem”, explicam Roseli Teresinha P. B. Borges, engenheira agrônoma conveniada da Casa da Agricultura local, e Heitor Luiz Heiderich Roza, assistente agropecuário da CATI Regional Mogi Mirim, informando que os produtores interessados em esclarecer dúvidas sobre o passo a passo da técnica devem procurar a Casa da Agricultura de seu município. Em Artur Nogueira, o contato pode ser feito pelo telefone (19) 3927-9700, ramal 9723. 

Responsável pela 2.a estação, que apresentou os tipos de calcário, Luis de Sá reforça a importância desse processo. “Falar em calagem é falar em tecnologia de base para todos os tipos de sistemas produtivos e áreas de pequeno, médio e grande portes. Sem a adoção da aplicação de calcário para correção do solo, produção e produtividade sofrerão grande impacto. E nesse contexto, para escolher o melhor tipo calcário para sua área (são inúmeras as opções no mercado), o produtor precisa investir em uma boa coleta de amostragem de solo, que deve ser enviada para um laboratório credenciado que fará uma análise completa. E para apoiar o produtor na tomada de decisão que leve à aquisição do melhor tipo de calcário, com base no custo-benefício (mais econômico e adequado à estrutura do solo), realizamos eventos como este e atendimento nas Casas da Agricultura, demonstrando uma fórmula simples, que engloba o preço do calcário e do frete, e o Poder Relativo Neutralização Total (PRNT)”.
   

 

Na 3.a estação, o pesquisador do Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico (IAC)/Apta/SAA, Afonso Peche Filho abordou a importância da regulagem dos equipamentos e qualidade na aplicação, ressaltando a calagem como prática fundamental de manejo do solo. “O conceito da calagem norteia todas as outras atividades produtivas. Quando se erra ou não se faz calagem, comprometem-se todas as atividades subsequentes. Para que o processo seja eficiente, é preciso levar em consideração três pontos cruciais: a amostragem de solo bem-feita; o ajuste na quantidade de calcário para fazer correção progressiva do solo; e observação da qualidade operacional, que envolve a vazão da máquina e a qualidade na distribuição, para que haja uniformidade e regularidade”, explica Peche, que conduziu uma demonstração prática desses conceitos no Dia de Campo.

 

Mudança de período: por que fazer calagem no outono é recomendação atual?

“A recomendação para se fazer calagem no outono se deve ao fato de que nesse período ainda existe umidade no solo, mas sem a ocorrência de chuvas fortes que podem causar processos erosivos. Além disso, gera ganhos para o produtor, que irá plantar em outubro em solo já corrigido, pois o calcário precisa de, no mínimo, 90 dias para reagir e fazer o ‘seu trabalho’ de forma eficaz”, explica Luis de Sá. 

Segundo Afonso Peche, quando se fazia calagem três meses antes do plantio no verão, fragilizava-se o solo, contribuindo para o processo erosivo. “Então fazer calagem no outono é uma ‘ordem moderna’”.

 

 

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