CATI/CDRS Regional São José do Rio Preto promove curso de produção de mudas de cacau
Extensionistas da CATI e produtores rurais parceiros, na propriedade de Sinval Oliveira em Itariri, Vale do Ribeira, onde será instalado um campo de avaliação
No mês em que a Secretaria de Agricultura e Abastecimento celebra 130 anos de atuação em prol do desenvolvimento do agro paulista, a Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CATI/CDRS) realiza, nos dias 26 e 27 de novembro, o curso no âmbito do Projeto Consórcio Cacau e Seringueira executado por meio de sua Regional de São José do Rio Preto, em parceria com entidades públicas e privadas, visando à viabilização do cultivo de cacau no noroeste paulista, como alternativa de diversificação, geração de renda e emprego.

“A cacauicultura é uma atividade de alto valor econômico, com potencial para promover rápida amortização do capital investido e rentabilidade, com grande impacto no desenvolvimento sustentável nas áreas social, econômica e ambiental, nas regiões onde for instalada”. A partir dessa constatação, o engenheiro agrônomo Andrey Vetorelli, da CATI Regional São José do Rio Preto, integrante do Grupo Técnico do Projeto Consórcio Cacau e Seringueira – desenvolvido pela instituição em parceria com a Associação Comercial e Empresarial de São José do Rio Preto (Acirp), e apoio da Fundação Cargill e da Ceplac – Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, órgão do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) -, fala da importância de se produzirem mudas no Estado de São Paulo.
“Em nossa região, o avanço do Projeto tem mostrado o potencial da cacauicultura para diversificar a agricultura, ao mesmo tempo em que fortalece a cadeia produtiva da heveicultura (seringueira), uma das principais atividades econômicas e sociais da região, com grande impacto na geração de renda e emprego. Mas também mostrou que a aquisição de mudas tem sido um gargalo, impactando o custo de produção, haja vista que, atualmente, as mudas plantadas pelos produtores que estão apostando na cultura no noroeste paulista são adquiridas fora de São Paulo, o que encarece o processo, por conta do frete. Sendo assim, o objetivo desse curso – que conta com partes teórica e prática e será ministrado por especialistas – é incentivar e capacitar viveiristas para iniciar a produção de mudas de qualidade, em solo paulista”, explica Andrey, que, ao lado dos engenheiros agrônomos Fioravante Stucchi Neto e Fernando Miqueletti, é um dos responsáveis técnicos pela implementação do Projeto no noroeste paulista.
O Projeto. Ao longo de mais de seis anos de execução do Projeto Consórcio de Cacau e Seringueira, Andrey relata que a realização de eventos como palestras, workshops, Dias de Campo, visitas técnicas e cursos tem sido essencial para divulgação das tecnologias de produção e incentivo à adesão do cultivo do cacau na região de São José do Rio Preto
“Mas, com a evolução da implantação do Projeto e realização desses eventos, percebemos a cada dia o aumento de interesse nesse modelo de consórcio, por produtores que desejam implantar projetos comerciais e áreas-piloto em municípios de outras regiões paulistas, os quais têm nos procurado para visitas técnicas nas Unidades de Adaptação de Tecnologia que foram instaladas (em diversos municípios da região). Nessas UATs são geradas e adaptadas tecnologias de produção, pois nelas estão sendo aplicadas diferentes técnicas de manejo da cultura, irrigação, adubação, tratamento fitossanitário e de plantas daninhas, além de colheita e coleta de informações para análise financeira do sistema”, explica Andrei, informando que, nessas áreas – abertas para difusão de conhecimento a todos interessados, principalmente aos produtores rurais –, também estão sendo avaliadas diferentes densidades populacionais para cultivo, bem como a implantação de cacau com plantas nativas, visando atender economicamente áreas de Reserva Legal. “O cacau é originário da região amazônica, portanto, ele pode ser cultivado em áreas nativas, favorecendo o desenvolvimento sustentável do ponto de vista ambiental”.
No início do Projeto, em 2014, a área plantada com cacau na região de São José do Rio Preto era de cerca 10 hectares; em 2021, são contabilizados quase 200 hectares cultivados.

Projeto Consórcio Cacau e Seringueira CATI Regional São José do Rio Preto
DSMM/CATI: implementação de matrizeiros abre caminho para a produção de mudas com qualidade e adaptadas às regiões com potencial à cacauicultura em São Paulo
No início de 2020, por meio de seu Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes (DSMM), a CATI adquiriu 10 clones – materiais para multiplicação de mudas – da Ceplac/MAPA (principal centro de pesquisa da cacauicultura do Brasil e da América Latina), para instalação de matrizeiros em campos experimentais nos Núcleos de Produção de Mudas de Itaberá, Pederneiras, Tietê e Marília, bem como na propriedade do produtor rural Sinval Oliveira, localizada no município de Itariri, no Vale do Ribeira.
De acordo com Edegar Petisco, engenheiro agrônomo e diretor do Centro de Produção de Mudas do DSMM, o objetivo é impulsionar a produção de mudas de cacau adaptadas às regiões potenciais no Estado de São Paulo, fazendo a multiplicação de materiais genéticos de alta qualidade, resistentes e/ou tolerantes à principal doença que causa dano à cultura, que é a vassoura-de-bruxa. “O primeiro matrizeiro foi instalado no Núcleo de Itaberá e os resultados são promissores. Os demais estão em fase de registro no MAPA e implantação. Nosso objetivo é avaliar a adaptação desses materiais nas diversas regiões agrícolas do Estado, que tem condições adequadas ao cultivo, dentro do zoneamento estabelecido pelo Ministério”, explica Edegar, informando que esses materiais já estão sendo avaliados no Projeto Consórcio Cacau e Seringueira, mas com o foco voltado para a produção na região de São José do Rio Preto, que tem características peculiares, como a necessidade de irrigação.
À frente do processo de implantação de matrizeiros e do desenvolvimento desse projeto no DSMM, Marcos Augusto Franco Júnior, diretor do Núcleo de Itaberá, ressalta a importância da produção de mudas e a viabilidade da cultura em São Paulo. “Com a experiência adquirida em décadas de produção de mudas, e colocando em prática a função social da extensão rural, vislumbramos na cultura do cacau uma boa alternativa, geradora de renda e emprego, para as pequenas propriedades rurais. Com a proximidade com o trabalho desenvolvido pelos colegas da CATI Regional São José do Rio Preto, identificamos essa lacuna na produção de mudas em São Paulo, mas ampliamos nosso campo de trabalho para a produção de mudas para a diversas regiões paulistas”, detalhando o processo de produção do DSMM.
“O nosso sistema de produção das mudas é a enxertia (mudas produzidas a partir de uma planta ‘mãe’), o qual garante a manutenção das características genéticas do clone de origem, que foi previamente selecionado entre os melhores materiais. Por esse contexto, as mudas enxertadas são as mais adequadas para o cultivo em grande escala comercial, pois possibilitam plantas uniformes em desenvolvimento, tamanho e produção de frutos”, explica Marcos, ressaltando que as unidades onde estão instalados os matrizeiros estão em regiões onde a cultura pode ter maior desenvolvimento no âmbito paulista.
Sobre o cultivo no Vale do Ribeira, Marcos informa que a CATI já está trabalhando para apoiar os futuros interessados na cultura, para diversificação de atividades. “O cacau é uma cultura muito propícia para ser cultivada por agricultores familiares e por comunidades tradicionais – perfil da maioria dos produtores rurais da região -, por conta de seu manejo e rentabilidade. Além disso, por ser originário da Amazônia, pode ser plantado em áreas de Reserva Legal (com vegetação nativa), abundantes no Vale. Sendo assim, junto com colegas extensionistas, apoiaremos as organizações rurais locais a solicitar o zoneamento, junto ao MAPA, para plantio de cacau na área. Também estamos trabalhando com um sistema de produção de sementes para a produção de mudas pelos próprios produtores (ou por viveiristas locais), visando diminuir o seu custo de produção, pois as mudas enxertadas têm um custo mais alto que a produzida pelo sistema de semeadura. Mas isso só é possível, porque o Vale do Ribeira tem clima e relevo adequados para o cultivo de cacau sem irrigação, como é imprescindível no noroeste paulista, que tem um clima predominantemente de semiárido”.
De acordo com Marcos, a expectativa para 2022 é de que os matrizeiros possibilitem a formação de mudas dos melhores materiais selecionados e adaptados ao Estado de São Paulo (cada clone obtido junto à Ceplac é de uma variedade diferente), em quantidade necessária para a capacitação em enxertia e tratos culturais na produção. “Após este período, o objetivo é dar início à produção de mudas em escala comercial (produzidas de acordo com a demanda de mercado), inserindo-as em nosso catálogo, que conta com quase 300 espécies frutíferas – comerciais e nativas – e essências florestais”.

Estufa de matrizes de clones de cacaueiro. Extração e preparo de sementes para plantio de porta-enxertos.
Cleusa Pinheiro – Jornalista – Centro de Comunicação Rural (Cecor)/CATI/SAA – cleusa.pinheiro@sp.gov.br