Sigatoka Negra: Técnicos do Espírito Santo realizam visita técnica em São Paulo

Postado em: 11/05/2016 ás 12:00 | Por: Comunicação SAA

A Sigatoka Negra é uma doença causada por um fungo com alto poder de disseminação na cultura da banana (foto: divulgação)Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo recebeu a visita de recebe técnicos e engenheiros agrônomos do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (IDAF), para uma visita técnica em prevenção e controle da Sigatoka Negra na cultura da banana. A doença é causada por um fungo com alto poder de disseminação.

O Estado de São Paulo é referência na implantação do Sistema de Mitigação de Risco (SMR) para a Sigatoka Negra, visando minimizar a disseminação da praga e viabilizar o comércio interno e a exportação, com resultados positivos.

A doença foi constatada nos bananais do município de Miracatu, região do Vale do Ribeira em meados de junho de 2004 e após levantamento foi constatada em todas as regiões do Estado.

O SMR, de adesão voluntária, foi implantado no Estado em junho de 2005. É a integração de diferentes medidas de manejo de risco de pragas pelos produtores, normatizadas por legislação específica, para atingir o nível apropriado de segurança fitossanitária, e medidas de controle do trânsito e do comércio de partes de plantas de bananeira, visando minimizar a disseminação da praga.

Os conhecimentos adquiridos durante esses dez anos pela Coordenadoria de Defesa Agropecuária e pela pesquisa desenvolvida pela Agência Paulista dos Agronegócios (Apta), órgãos da Secretaria de Agricultura do estado de São Paulo e a experiência dos produtores na lida diária com a doença servem de referências aos Estados que passaram a enfrentar a mesma situação.

O engenheiro agrônomo da Secretaria, que no Centro de Defesa Sanitária Vegetal da Coordenadoria de Defesa Agropecuária, Caio Ramos da Silva, responsável programa de controle da sigatoka no Estado de São Paulo recebeu os engenheiros agrônomos Idaf, Karine da Costa Moura Gonçalves, e Victor Bernardo Vicentini para uma visita técnica, que visitaram algumas unidades para conhecer o trabalho de prevenção da doença.

A primeira visita técnica e prática foi realizada no Sítio Lagoa Nova, no município de Sete Barras que aderiu ao SMR/Sigatoka Negra. Foram recebidos pelos proprietários Edson Hayashi e Edson H. Ohia, que também são engenheiros agrônomos e pelo consultor técnico e assessor técnico da Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira (Abavar), engenheiro agrônomo Roberto Kobori. Os produtores que já conviviam com a sigatoka amarela, considerada menos agressiva tiveram que intensificar as técnicas de manejo e boas práticas culturais, medidas que levam a um menor número de aplicação de fungicidas.

Ohia explicou que para fazer o monitoramento da sigatoka amarela, levou um ano e depois com o aparecimento da sigatoka negra tiveram que mudar todos os conceitos.  “A negra está há mais de dez anos, mas o que a gente tem visto, não bate com a literatura. Até 2015, aqui na várzea do rio Ribeira, eu só via a negra aqui e em algumas outras propriedades. O resto era só a amarela. Agora ela está começando a se disseminar um pouco mais. A literatura fala que o fungo pode se propagar a quilômetros e não está acontecendo. A gente acaba criando hipóteses de que, pelo fato de estarmos fazendo cirurgia mais drástica visando o controle da amarela tenha favorecido indiretamente o aparecimento da negra. Pensamos também em nutrição”, explicou.

Já o consultor explicou que “na convivência com a sigatoka, estamos aprendendo e levando de vantagem e tendo uma convivência menos traumática com a doença. Os conhecimentos estão ajudando. Ela não diminuiu, mas estamos tendo algumas práticas e alguns tratamentos que atenuam e reduzem custo para o controle. A principal prática é a variedade e o manejo do cacho. Menos folha, menos fruto para ter chance de colher; mais folha verde, mais frutos e ai a gente aumenta a produtividade. O tratamento fitossanitário é a última etapa. Antes disso a gente vê a cirurgia, manejo de pinta, desbaste, intensidade e variedade para depois entrar com o controle químico. É conviver mesmo”, disse Kobori.

No Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) de Registro, os técnicos acompanharam as ações desenvolvidas quando da identificação da sigatoka na região. O diretor do EDA, Gilmar Gilberto Alves lembrou que “para evitar danos à lavoura é preciso ter foco, realizar os tratos necessários para precisar o momento correto de realizar o controle. Os produtores e os responsáveis técnicos estão conscientes desta realidade e por isso a região continua produzindo com qualidade”.

Em visita ao Polo Regional da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) no Vale do Ribeira, em Pariquera-Açu, o pesquisador científico da Secretaria, Edson Shigueake Nomura apresentou os resultados das pesquisas que são desenvolvidas. De acordo com o pesquisador, a orientação ao produtor é com relação ao manejo e tratos culturais necessários (adubação, irrigação, controle de pragas) e o monitoramento. “Se no local existe a sigatoka tem que se fazer o monitoramento semanal para que o produtor consiga realizar a aplicação do fungicida no momento certo e só o monitoramento pode indicar esse momento”, enfatizou.

No Sítio São João, no município de Cajati, de propriedade do engenheiro agrônomo Fábio Lourenço Mariano foi possível verificar o comportamento da sigatoka negra em diferentes variedades de bananas o que forneceu aos visitantes mais uma experiência prática e ampla de diagnóstico e controle da doença. A propriedade não aderiu ao SMR, mas realiza todos os controles necessários para garantir a produção e reduzir a incidência da doença.

A pulverização aérea é um dos métodos de aplicação do fungicida adotado pelos produtores na região. ”A aplicação é feita envolvendo diversas propriedades em uma mesma aplicação, o que reduz o custo para o produtor e tem maior eficiência”, explicou Rene Mariano, sócio diretor da Banaer Pulverização Agrícola, com sede no município de Sete Barras. No mesmo município foi proporcionada a oportunidade de conhecer na Fazenda Eldorado, de propriedade de Wilson Magário, o sistema de higienização e desinfecção de embalagens plásticas.  

O SMR é auditado periodicamente pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que reconhece esta condição fitossanitária ao estado de São Paulo.

Dados de levantamento da safra 2015/16 realizado em novembro de 2015  pelo Instituto de Economia Agrícola e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) mostram que a  região do Vale do Ribeira é a maior produtora de banana no estado de São Paulo, e representa cerca de 60% da área plantada, 70% da produção paulista e a produtividade (24,2 t/ha) é 13,0% maior do que a média estadual. Na sequência aparecem as regiões dos EDAs de São Paulo, com 7,7% de área cultivada, e o EDA de Jales (6,9%). (http://www.iea.sp.gov.br/out/LerTexto.php?codTexto=13982).

 

Por Teresa Paranhos

 

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