Secretaria de Agricultura resgata milho tradicional indígena da extinção

Postado em: 03/08/2015 ás 20:53 | Por: Comunicação SAA

20193602602_7c2c13d06c_zO secretário de Agricultura, Arnaldo Jardim, entregou sementes de milho indígenas recuperadas e multiplicadas para índios de etnia Kaingang, de Avaí, de Icatu, em Braúna e a Vanuíre, em Tupã. A partir de um quilo de sementes fornecidos pela índia Ilma Kenné Umbelino, foi feito o trabalho de recuperação pelo Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes (DSMM), da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), ligado à Secretaria de Agricultura. O milho tradicional (tipo crioulo) é usado na alimentação e tem aspectos culturais e religiosos para os indígenas e estava quase extinto.

O trabalho, considerado de fundamental importância para as tribos, foi realizado em parceria com a regional de Bauru da Fundação Nacional do Índio (Funai). O diretor do Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes, o engenheiro agrônomo Edson Luiz Coutinho, explicou que foram feitas duas ações. A principal foi à multiplicação das sementes (que se perderam ao longo dos anos). O DSMM recebeu da representante da aldeia Ilda Kenné Umbelino, cerca de um quilo de sementes de milho tradicional (tipo crioulo), que foi encaminhado ao Núcleo de Produção de Sementes Ataliba Leonel, em Manduri, que providenciou sua multiplicação por duas safras seguidas.

As sementes de milho foram multiplicadas na Fazenda Ataliba Leonel, em áreas isoladas para evitar a contaminação com pólen de outros cultivares de milho, evitando assim a descaracterização genética das sementes indígenas. Coutinho contou que apesar das dificuldades agrícolas, climáticas e da própria qualidade da “semente original”, este ano ficaram prontas às sementes de duas variedades indígenas: 150 quilos de milho preto e outros 10 quilos de milho roxo para serem devolvidas à Funai e suas aldeias. “O trabalho de seleção foi totalmente manual, não teve melhoramento genético para garantir a pureza das sementes. A agricultura está totalmente ligada à cultura e a religião”, explicou.

De acordo com o indigenista Henrique Sergio Bünger, servidor da Funai, lotado na Coordenação Técnica Local de Bauru, Ilma já fazia a multiplicação das sementes na aldeia, mas da ultima vez em que ela plantou um gado invadiu a aérea comeu todo o milho. Ele disse que Ilda entrou em contato com seu sobrinho da aldeia Kainkang de Braúna e pediu uma espiga. E a notícia do resgate do milho tradicional também chegou à aldeia Kaingang, do município de Braúna e lá também houve o resgate de uma pequena quantidade.

Ele explicou que Funai mantém há alguns anos uma parceria com a Secretaria de Agricultura, por conta do Projeto Microbacias II, desenvolvido na aldeia em Avaí o plantio e processamento de mandioca.  “Adquirimos junto ao DSMM as sementes de mamona, milho e frutíferas para plantar nas aldeias. Aproveitamos este gancho e trouxemos a semente do milho preto que já estava praticamente extinto nas aldeias para ser reproduzido na fazenda de Manduri”, contou.

Ilda Kenné Umbelino nasceu na aldeia Vanuíre. Mudou-se para aldeia Kopenuti em 1974, em Avaí. Ela era a única que tinha esse tipo de milho. Emocionada, ela contou sobre a necessidade do milho tradicional na alimentação.  “Fazemos bolo, assado com folha de banana, com peixe ou carne. Com essas sementes vamos poder plantar, o alimento do Kaingang é o milho, agora vamos repartir entre as aldeias”, disse.

João Paulo Teixeira, do DSMM, contou que o trabalho de recuperação e multiplicação do milho tradicional já ocorre há dois anos. Na primeira safra produziu 15 quilos e o milho foi semeado novamente.  “Na segunda multiplicação foram produzidos 140 quilos”, explicou, além de revelar que o projeto continuará com outros milhos tradicionais que estão “perdidos” como o branco e o vermelho.

Essas sementes serão devolvidas as aldeias Kaingang, de Avaí, de Icatu, em Braúna e a Vanuíre, em Tupã. Também será encaminhada para os índios Kaingang da aldeia Tamarana, no Norte do Paraná.

Participaram da solenidade de entrega Ilma Kenné Umbelino; Regiane Rodrigues (filha da dona Ilma); o presidente da Fetaesp, Braz Agostinho Albertini; o diretor do Instituto Biológico, Antonio Batista; o diretor do Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes, Edson Luiz Coutinho; do DSMM, João Paulo Teixeira; da Funaí, Henrique Sérgio Bunger; José Luiz Fontes; do coordenador da Apta, Orlando de Melo Castro; Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro), Michel Reche; do Assessor Parlamentar, Sérgio Murilo Hermógenes Cruz; o produtor de morangos, Osvaldo Mazieiro; o coordenador da Codeagro, Michel Reche; Diógenes Kassaoka; Emilio Bocchino; Harumi Hojo; Roberto Lunetta; e a prefeita de Lençois Paulista, Izabel Lorentti.

Por Eli dos Santos
Fotos: João Luiz 

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