Secretaria de Agricultura apresenta palestra sobre Produção Pecuária Sustentável e Programa Mais Leite Saudável

Postado em: 06/06/2016 ás 17:32 | Por: erick

Encontro foi realizado na sede da SecretariaDurante a reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura da Assessoria Técnica do Gabinete, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, realizada no dia 24 de maio, foram apresentadas duas palestras: Boas Práticas de Produção em Sistemas de Pecuária de Carne e Leite, ministrada por Iveraldo Dutra, professor de Planejamento e Administração em Saúde Animal da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Araçatuba, e Ações do Programa Mais Leite Saudável, por Marco Aurélio Puppo Ceccon, fiscal federal agropecuário do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

José Luiz Fontes, dirigente da Assessoria Técnica, afirmou que, por orientação do titular da Pasta, Arnaldo Jardim, a Comissão está elaborando um Programa que visa o Desenvolvimento da Pecuária Leiteira no Estado de São. Outros voltados à produção de frutas, piscicultura e olericultura também fazem parte dos projetos desta gestão. “O desafio é estimular a produção, sem comprometer a preservação ambiental e garantindo alimentos saudáveis”, ressaltou.

De acordo com Fontes, o secretário elegeu quatro eixos prioritários para sua gestão: buscar uma agricultura sustentável, que se desenvolva em harmonia com o meio ambiente. Para isso, ações como a criação do grupo de trabalho para elaboração do Plano de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) e programas para estimular o uso correto de agrotóxicos foram estimuladas. Oferecer assistência técnica e extensão rural com objetivo de aumentar a produtividade e competitividade, especialmente para os pequenos e médios produtores. Transformar o Estado de São Paulo em um polo de conhecimento, diminuindo a distância entre a inovação tecnológica desenvolvida nos Institutos de Pesquisa da Pasta e a produção e buscar, por meio de várias iniciativas combinadas, a saudabilidade dos alimentos.

O dirigente da Assessoria Técnica explicou que o Programa de Desenvolvimento da Pecuária leiteira está inserido nestes quatro eixos e tem como finalidade o aumento da produtividade e rendimento das unidades de produção, de acordo com as boas práticas de produção e gestão e produzindo alimentos saudáveis, o que pressupõe boas práticas sanitárias. Em virtude dos objetivos propostos, foram programadas as duas apresentações.

Em sua palestra, o professor Iveraldo Dutra chamou atenção para a importância da adoção de boas práticas pelos produtores rurais como forma de gerar confiança por parte dos consumidores e atender a normas internacionais de vigilância sanitária. “As boas práticas constituem um bem público. O conceito: um mundo – uma só saúde está focado na proteção da população, já que 70% das novas doenças provém do consumo ou convívio com animais”, explicou.

O professor destacou que o Brasil cresceu muito em produção e atualmente ocupa o lugar de segundo maior produtor mundial e maior exportador de carne do mundo; mas, em qualidade do processo produtivo ainda apresenta algumas restrições tanto na produção de carne quanto de leite. “Os desafios são grandes e precisamos construir soluções, definir metas. A qualidade do alimento está na origem, é preciso melhorar a percepção dos produtores sobre como se faz. Falar de alguns passivos que a gente tem dentro das propriedades”, afirmou. Para melhorar a assistência técnica, Iveraldo Dutra propõe a realização de parcerias acadêmicas. “O IB (Instituto Biológico) faz um trabalho primoroso, uma boa prática seria juntar as competências ”, concluiu.

Na sequência, Marco Aurélio Puppo Ceccon apresentou o Mais Leite Saudável. Criado em 2015, pelo Ministério da Agricultura, o programa oferece renúncia fiscal de 50% dos impostos do Programa de Integração Social e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins), para empresas que usam leite cru na fabricação de seus produtos, com a condição de que a indústria invista 5% do valor devido em assistência técnica, melhoria genética do rebanho e educação sanitária. “O programa é importante porque força a indústria a formar o produtor rural para que ele tenha um incremento na produção e na qualidade do leite. Nós acreditamos que possa dar um impulso muito grande à agricultura porque é um valor específico, para um público determinado pela indústria e que é carente de informação, de técnicas para aumentar a produção e melhorar a qualidade para que ele possa continuar na atividade”, ressaltou.

Em São Paulo, foram apresentados 19 projetos, dos quais 5 já estão aprovados, o que representa recursos de aproximadamente R$ 1,3 milhão que o programa está trazendo para aprimorar a pecuária leiteira paulista. “Nesse primeiro momento, as demandas têm vindo da própria indústria, mas nós acreditamos que, com o tempo, possamos direcionar para interesses do Estado e da União, como o controle da brucelose e da tuberculose, entrar com esquemas de vacinação e sanidade do rebanho. É uma ferramenta que pode ser utilizada, daqui para frente, para promover as boas práticas na produção leiteira”, afirmou.

De acordo com Edwiges Maristela Pituco, pesquisadora do Instituto Biológico, é importante para a Comissão Técnica de Bovinocultura começar a levantar o acervo que o Estado de São Paulo tem a respeito das boas práticas de criação de bovinos, verificar onde e em que ponto estão as pesquisas, se existem lacunas que precisam ser preenchidas. “É muito difícil porque, quando a gente vai tomar uma decisão, esbarra com a falta de conhecimento. Algumas coisas são simples: como tratar o umbigo, é questão de treinamento e educação sanitária. Na verdade, educação sanitária tem que ter sempre. Mas, quando se trata de recolher os resíduos sólidos no campo, por exemplo, a estrutura não existe ... a carcaça, a cama de frango, com isso temos muita dificuldade e, as vezes falta conhecimento científico. Contudo, precisamos saber se o acervo não tem mesmo. Temos poucos pesquisadores e não podemos ter retrabalho, se aquele conhecimento existe, precisa ser acessado”, ressaltou a pesquisadora.

A pesquisadora do Instituto de Economia Agrícola (IEA), Rosana Pithan, que como Maristela Pituco, integra a Comissão, também destacou a pertinência das palestras e quanto as boas práticas na pecuária de leite e corte podem se constituir no diferencial para expandir o mercado. “São Paulo já foi o 2º maior produtor de leite do País e hoje ocupa o 6º lugar. E não é só o aumento da produção, precisamos nos consolidar como um Estado capaz de produzir com qualidade, inclusive para atender o mercado interno que é muito exigente. Essas palestras vão contribuir na elaboração do programa que a Comissão está desenvolvendo”, afirmou.

O pesquisador do IEA, Carlos Bueno, concorda com sua colega. Para ele, esse tipo de iniciativa é vital. “Trazer profissionais qualificados para acrescentar e discutir informações do setor é de fundamental importância para qualquer instituição que se dedique a acompanhar a evolução do setor dentro do Estado. É preciso que efetive e se torne uma constante, um local de discussão e encontro de todos os profissionais que atuam no âmbito da Secretaria de Agricultura”, ressaltou.

A reunião contou ainda com as presenças de: Silvana Margatho e João Carlos Pimentel, da Assessoria Técnica do Gabinete da Secretaria de Agricultura; Carlos Roberto Bueno e Rosana de Oliveira Pithan e Silva, pesquisadores do Instituto de Economia Agrícola (IEA); Renato Romeiro Gomes, do Instituto de Tecnologia dos Alimentos (Ital); Renata Helena Branco Arnandes e Aníbal Eugênio Vercin Filho, diretora e pesquisador do Instituto de Zootecnia (IZ), respectivamente; Maristela Pituco, pesquisadora do Instituto Biológico (IB); Suzely de Miranda, diretora do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea-SP); Diógenes Kassaoka, diretor do Instituto de Cooperativismo e Associativismo (ICA); Matheus Petillo Della Vechia e Bruno faria de Lima, da Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro); Carlos Pagani Neto, do Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) de Novo Horizonte Salgado da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati); Jovino Paulo Ferreira Neto, do EDR de Guaratinguetá; Sidney Martins, do EDR de General Salgado; José Eduardo de Lima, Lúcio Oliveira Leite e Hugo Leonardo Costa, da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA); Teodoro Miranda Neto, Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-SP); Paulo César Guimarães, do Sindicato Rural de São José do Barreiro; Flávio Publio de Campos, do Sindicato Rural de Guaratã; Wander Bastos, do Sindicato Rural de Cruzeiro e Thiago Roque Chaves, da Associação Agropecuária de Guaratã;


Por: Nara Guimarães

Fotos: Paulo Prendes

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