Responsabilidade ambiental para conservação do solo e controle da mosca-dos-estábulos são debatidos em Ourinhos

Postado em: 19/09/2016 ás 13:46 | Por: erick

Arnaldo Jardim destacou que com o avanço da a mecanização da colheita da cana-de-açúcar, surgiram novos desafios para promover práticas mais sustentáveis e que visam o aumento da produtividade (foto: João Luiz)O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, ressaltou a responsabilidade ambiental dos produtores de cana-de-açúcar na conservação de solo e da água e para controlar a proliferação da moscas-dos-estábulos no Estado de São Paulo, na Faculdades Integradas de Ourinhos (FIO), em Ourinhos, no dia 16 de setembro de 2016.

Cerca de 50 participantes, entre produtores rurais, usineiros, representantes de entidades da cadeia, pesquisadores e técnicos extensionistas dos Escritórios de Defesa Agropecuária (EDA) e de Desenvolvimento Rural (EDR) regionais de Marilia, Ourinhos, Assis e outras regiões produtivas paulistas, acompanharam o discurso de Arnaldo Jardim, que destacou que com o avanço da a mecanização da colheita da cana-de-açúcar, surgiram novos desafios para promover práticas mais sustentáveis e que visam o aumento da produtividade.

“Com o fim das queimadas, que serviam como um controlador natural das pragas que afetavam os canaviais, surgiu a necessidade de adotar novas práticas conservacionistas ao meio ambiente, principalmente para controlar a proliferação das moscas-dos-estábulos, que estão afetando os rebanhos, principalmente bovinos, prejudicando a pecuária de corte e de leite”, comentou o secretário.

Para o titular da Pasta, é preciso manter uma boa sintonia com os municípios para enfrentar os desafios do setor sucroalcooleiro, promover a conservação do solo e da água nas áreas de cultivo e controlar os prejuízos causados pela mosca-dos-estábulos, cuja incidência tem sido mais frequente em locais onde há o acúmulo de resíduos agroindustriais, como a vinhaça e a torta de filtro, associados à palha da cana.

“Ninguém ama mais a natureza que o produtor rural, que da terra vive e gera riqueza para o nosso País. Não podemos deixar que algumas pessoas que não tenham esse cuidado ambiental corroborem com a imagem de que a agricultura é predatória ao meio ambiente”, disse. 

“Nosso trabalho tem sido o de percorrer o Estado para comunicar, cobrar a aplicação das normas já estabelecidas e aperfeiçoar as práticas. Aproximar o conhecimento gerado por meio da pesquisa do setor produtivo é uma das diretivas do governador Geraldo Alckmin para a Pasta”, complementou o secretário.

E o propósito foi atendido, conforme afirmou o produtor rural do município de Canitar, Manoel José dos Passos. Ele disse que sua propriedade sofre com o inseto, por conta do descuido de uma usina próxima a sua fazenda e viajou até Ourinhos com o objetivo de aprender novas práticas para evitar a infestação da mosca-dos-estábulos. “Estamos enfrentando um problema que antigamente não tínhamos em nossa fazenda. Por esse motivo em vim participar do evento e levar essas informações para os colegas na usina”, disse.

Para o produtor rural de Pradópolis Benedito Hélio Orlandi, os produtores devem participar desses debates para conhecer novas práticas conservacionistas, que cuidam do meio ambiente e ajudam a melhorar a produtividade. “Eu realizo plantio direto em minha produção há mais de 10 anos, e isso tem ajudado a diminuir o impacto da agricultura e das máquinas agrícolas no solo. Precisamos a ajuda do Estado para difundir mais essas medidas que só trazem benefícios ao nosso setor”.

Queima fitossanitária

Durante o evento, o secretário Arnaldo Jardim assinou a Resolução Conjunta entre as Secretarias de Agricultura e Abastecimento e a do Meio Ambiente, publicada no Diário Oficial do Estado no dia 17 de setembro de 2016, que prevê a utilização da queima localizada, em caráter excepcional e emergencial, para eliminar materiais orgânicos em decomposição, propícios para a proliferação do inseto.

A medida deverá ser usada em último caso, caso todas as ações para o controle da praga tenham sido executadas e, mesmo assim, a infestação permaneça. Leia mais clicando aqui.

Debates

As mudanças no sistema de manejo da cana-de-açúcar provocaram impacto no solo e isso se relaciona principalmente ao aumento da mecanização, o que passou a ser uma preocupação de todo o setor. Com o acúmulo de resíduos agroindustriais, como a vinhaça e a torta de filtro, o canavial acaba sendo um ambiente ideal para a proliferação das moscas-dos-estábulos.

Cerca de 50 participantes, entre produtores rurais, usineiros, representantes de entidades da cadeia, pesquisadores e técnicos extensionistas dos EDA e EDR regionais de Marilia, Ourinhos, Assis e outras regiões produtivas paulistas participaram do encontro (foto: João Luiz)As condições ideais para o desenvolvimento do inseto são as altas temperaturas, a umidade e a presença de matéria orgânica em decomposição. Apesar de não ter ainda uma solução definitiva, a elevada incidência da mosca-dos-estábulos especialmente na região oeste do Estado - onde o solo argiloso dificulta a infiltração da vinhaça - exige a discussão e a adoção de ações imediatas para evitar possíveis focos de larvas, conforme orientaram os pesquisadores da Pasta durante palestra sobre o tema.

Para o diretor técnico do EDR de General Salgado, Sidney Ezídio Martins, o controle da mosca deve envolver tanto os produtores como os representantes das usinas. “É importante que a vinhaça seja aproveitada como um subproduto, receba tratamento adequado e não seja apenas descartada como um resíduo do processo”, ressaltou

A picada do inseto hematófago causa dor e incômodo, transmite doenças, ocasiona a perda de 15 a 20% de peso do gado e queda de até 60% na produção de leite.

“Os pecuaristas devem adotar boas práticas sanitárias, com a limpeza e remoção de dejetos e resíduos animais; eliminar o uso de cama de frango ou adubos orgânicos nas áreas consideradas de maior risco para o surgimento de larvas e utilizar armadilhas para controle do inseto”, explicou Martins.

Para o pesquisador, com a suspensão da queimada é preciso evitar o empoçamento do líquido no solo, visto que a larva se desenvolve no período de 48 horas. Às usinas, o especialista recomenda a escarificação e a subsolagem da palha antes do despejo da vinhaça, bem como promover a manutenção periódica dos sistemas de aplicação da vinhaça; vistoriar as áreas e, se necessário, fazer a drenagem e aplicação de calcário nas poças.

Nesse sentido, o encontro debateu as novas práticas para promover a conservação do solo e uso da água disponíveis no boletim técnico com recomendações de manejo do solo para o setor canavieiro.

Para a pesquisadora científica do Instituto Agronômico (IAC), Isabela Clereci de Maria, os primeiros estudos realizados mostram que é preciso buscar a integração das práticas conservacionistas em três estratégias básicas: aumento da cobertura de solo, da infiltração da água e do controle do escoamento. “Estamos promovendo os debates, para chegar a uma recomendação que atenda a todas as especificidades de cada área”, explicou.

O trabalho contou com a colaboração de produtores e técnicos por meio de consulta pública e deverá ser atualizado periodicamente.

Por Paulo Prendes

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