Programa de proteção ambiental e humana da Secretaria de Agricultura atinge 47,65 mil treinados

Postado em: 02/02/2016 ás 13:30 | Por: erick

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto Agronômico (IAC), em parceria com a empresa Arysta Life Science, atingiu o número de 47.657 trabalhadores treinados pelo Programa Aplique Bem em 708 municípios de 22 Estados brasileiros e em países da África, como Burkina Faso e Costa do Marfim. O Aplique Bem é o primeiro programa de avaliação de pulverizadores em uso que utiliza a norma internacional ISO 16122, específica para avaliação desses equipamentos.

Os principais objetivos da iniciativa são aplicar de forma correta os agrotóxicos, de maneira a preservar a segurança e a vida dos profissionais que realizam o trabalho; proporcionar melhores resultados para os produtores, que evitam desperdícios e que obtêm mais eficiência no uso dos produtos, com a possibilidade de investimentos corretos e evitando desperdício. Além disso, preservar a saúde da população.

O Programa itinerante já percorreu mais de 750 mil quilômetros no Brasil, promovendo disseminação do conhecimento para uma maior proteção ambiental e humana, por meio da correta utilização dos agroquímicos. O objetivo do Aplique Bem vem sendo alcançado. Atualmente, os produtores rurais estão mais conscientes das falhas que podem ocorrer durante a aplicação dos produtos. Nas revendas, se constatou o aumento da procura por equipamentos de proteção, pontas de pulverização, manômetros e outros materiais utilizados para manutenção das máquinas.

No Brasil, o clima tropical que viabiliza a produção de até três safras agrícolas também favorece a ocorrência de pragas e doenças nas plantações. Em países frios, além de as baixas temperaturas funcionarem como barreiras para tais ocorrências, há apenas uma safra por ano. Estes dois fatores — número de safras e características climáticas — explicam porque a agricultura brasileira lidera o uso de produtos químicos.

“O Aplique Bem treina as pessoas que têm a responsabilidade de aplicar agrotóxicos e realiza pesquisas com os equipamentos para melhorar o desempenho na aplicação. O treinamento é importante para não desperdiçar a saúde do trabalhador e nem os recursos da propriedade”, afirmou Arnaldo Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Em 2013, o Programa extrapolou as fronteiras nacionais. Sob a coordenação e orientação do Brasil, já existem atividades do Aplique Bem nos países africanos Burkina Faso e Costa do Marfim. Também há no México e o próximo a receber a tecnologia deverá ser o Vietnã. “Todos eles utilizam os mesmos conceitos, a mesma identidade visual e a mesma logomarca, com a diferença que Aplique Bem está escrito na língua do país”, diz o pesquisador do IAC Hamilton Humberto Ramos.

Liria Sayuri Hosoe, gerente de regulamentação e Stewardship da Arysta, afirma que o Aplique Bem é o programa mais importante da empresa na área de treinamento e educação no campo. “É a menina dos olhos da Arysta. O programa nasceu em São Paulo e cresceu tanto que extrapolou as fronteiras paulistas e brasileiras. Em outros países, o Aplique Bem, além de treinar os trabalhadores, tem um lado social muito forte. Na África, por exemplo, continente com condições diferentes do Brasil, alguns agricultores contam que puderam colocar seus filhos na escola, porque agora gastam menos para produzir”, conta.

A equipe de técnicos percorre o Brasil com o Tech-móvel – veículo adaptado com recursos que viabilizam o ensino sobre a maneira correta de aplicar agrotóxico e a avaliação de pulverizadores. O Programa conta com três veículos, sendo que cada um tem capacidade para realizar 200 treinamentos por ano. A atividade é feita diretamente na propriedade agrícola. Este diferencial do Programa atraiu a atenção do engenheiro agrônomo Marcelo Martins, do Grupo Campanha, responsável pela produção de hortaliças em Teresópolis e Sumidouro, no Rio de Janeiro.

Perguntado sobre o que despertou o interesse para receber o Programa, ele é categórico: “A vantagem do treinamento dentro da propriedade, permitindo que o produtor aprenda na prática”. Martins aponta a melhora na tecnologia e na aplicação de defensivos como as principais mudanças ocorridas na qualidade do trabalho após a participação no Programa Aplique Bem. “Os produtores estavam utilizando de forma inadequada os pulverizadores, sem fazer a calibração, sem usar pontas adequadas, sem usar vazão adequada”, explicou.

A equipe do Aplique Bem esteve no Rio de Janeiro entre janeiro e março de 2014. No Grupo Campanha foram treinados 20 produtores de hortaliças folhosas, responsáveis por uma área de 200 hectares. A produção é destinada a supermercados e restaurantes fast food. Martins teve conhecimento do Programa Aplique Bem por meio da rede Pão de Açúcar. Ele relata que o contato para agendamento do treinamento, feito pela Arysta LifeScience, foi fácil e organizado.

Mudança de hábito

Sobre os impactos do Programa na melhoria na qualidade da mão de obra, segundo o pesquisador do IAC, quando o trabalhador e o agricultor entendem os benefícios alcançados com a forma de produzir mais econômica e segura, eles mudam o hábito. “Apesar de não haver uma mensuração disso, não são raros os relatos de revendas que dizem ter acabado os estoques de pontas de pulverização ou de vestimentas de proteção após uma ação do Aplique Bem”, afirma o pesquisador do IAC responsável pelo projeto.

Uelinton Gustavo Betanholi, operador motorista da Usina São Martinho, em Pradópolis, interior paulista, participou pela segunda vez do treinamento do Aplique Bem e agora sabe a importância de lavar bem as mãos depois de trabalhar com os agroquímicos. “Tenho uma criança pequena. Quando eu chegava em casa, a primeira coisa era ela vir me abraçar. Agora eu sei que não posso fazer isso, tenho que ter lavado a mão e tomado banho antes de abraçar minha filha, sem o risco de causar qualquer problema na saúde dela. Aprendi isso com o Aplique Bem”, conta o trabalhador.

Profissionais que já passaram pelo treinamento confirmam a constatação do pesquisador. “O Aplique Bem melhorou muito a equipe. Como nossa equipe é pequena, conseguimos melhorar muito o trabalho, porque o conhecimento que eles tinham era passado por nós, mas agora é diferente. Muitos tratoristas passaram três vezes pelo treinamento. Hoje, alguns exercem cargo de liderança, por conta do conhecimento adquirido pelo programa e muita força de vontade”, relata Valdecir Florentino Bueno, coordenador da equipe de aplicação da usina Santa Maria de Cerquilho, interior paulista.

João Batista Garcia, motorista operador da São Martinho, também diz que seu trabalho melhorou muito, depois de participar de quatro treinamentos do Aplique Bem. “Mudou da água para o vinho. Agora temos conhecimento de bico do equipamento, por exemplo, e aplicamos menos produto. Cada vez que faço o treinamento aprendo uma coisa nova”, afirma.

Para Ramos, a carência de informação dos agricultores pode contribuir para a ocorrência de prejuízos à economia, à saúde e ao meio ambiente. Os gastos com aplicação de defensivos para produção de tomate, por exemplo, somam cerca de 60% dos custos totais de produção. Essas despesas poderiam ser reduzidas à metade com adoção da tecnologia eficaz.

O Aplique Bem é o único programa de avaliação e treinamento que trabalha com todos os perfis de propriedades e equipamentos, desde os pequenos, com pulverizadores costais e semi-estacionários, os médios, com pulverizadores de barras ou turbopulverizadores, até os grandes, em que predomina a utilização dos automotrizes. O Aplique Bem só não trabalha com aviões. Esta categoria de pulverizadores requer um treinamento específico regulamentado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O trabalho do Aplique Bem tem sido reconhecido por diversas instituições. Em 2012, o Programa foi agraciado com o Agrow Awards, como melhor programa de segurança (Best Stewardship Programme). O Prêmio, considerado um dos principais do agronegócio mundial, foi entregue em cerimônia realizada em Londres. Também naquele ano, recebeu o Prêmio Andef na categoria Boas Práticas Agrícolas. Em 2010, ganhou o Prêmio Mário Covas, em Inovação em gestão pública, e o Prêmio Brasil Produz, como melhor programa de integração produtor-empresa. Em 2008, conquistou o Prêmio Mérito Fitossanitário, oferecido pela Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef) na área de educação e treinamento.

Como funciona

O pesquisador do IAC Hamilton Humberto Ramos explica que o Programa Aplique Bem trabalha as três áreas fundamentais para ocorrer uma boa pulverização: avaliação do pulverizador, considerando a qualidade da máquina; análise da pulverização, com foco na adequação da regulagem do equipamento; e treinamento dos trabalhadores, com transferência de informações sobre os conceitos de tecnologia de aplicação e segurança no trabalho com agrotóxicos.

O Programa é composto por atividades teóricas e práticas em que são abordados os conceitos da adequada pulverização. “Só existe a aplicação correta se houver: equipamento adequado, bem regulado, operado por trabalhador treinado”, resume.

O agendamento da visita do Aplique Bem é feito pela equipe da empresa Arysta Life Science. A equipe do IAC segue aos locais previamente agendados para desenvolvimento das atividades de transferência de tecnologias. Na situação real de aplicação de cada propriedade agrícola, os técnicos da equipe do Aplique Bem iniciam a atividade com a avaliação dos pulverizadores usados no local. O procedimento é feito com base na norma ISO 16122.

Em caso de identificação de problema no equipamento, o Programa corrige, se for algo simples. Se a falha for grave, a equipe registra em relatório a recomendação de reparo. Além do equipamento, são avaliadas as técnicas usadas e a ocorrência de desperdício. “Propomos alternativas e avaliamos os resultados juntamente com o produtor até chegar ao formato mais adequado e seguro para cada aplicação”, diz Ramos. Finalmente, com base na situação verificada, é realizado o treinamento teórico-prático.

De acordo com o pesquisador do IAC, se houver situação para a qual a pesquisa ainda não gerou resposta, terá origem um novo estudo, com participação de agricultores. A resposta obtida será transferida ao setor por meio de dias de campo e passará a integrar o material didático do Programa Aplique Bem.

Estrutura do Programa

O Aplique Bem é coordenado de forma conjunta pelo Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico e pela Arysta LifeScience. O IAC é responsável por toda a parte técnica. Já a infraestrutura e a logística são de competência da Arysta. O IAC seleciona e capacita os instrutores e auxiliares. Os técnicos ligados ao Aplique Bem passam por treinamento ao entrar no Programa, que se repete ao longo do ano para fins de atualização. Os técnicos são contratados pelo IAC, por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag). Os recursos são mantidos pela Arysta.

Essa parceria prevê dois aspectos que reforçam a credibilidade do trabalho: o Aplique Bem não aborda produtos e não está ligado a vendas. Apesar de ser uma parceria com uma multinacional da área de agrotóxicos, o Aplique Bem se limita a transmitir conhecimentos sobre tecnologias de aplicação e segurança, que podem ser adotadas por agricultores em qualquer situação de controle fitossanitário. “Em nenhum momento há a recomendação sobre produtos da empresa ou ação comercial durante as atividades”, assegura o pesquisador responsável pelo trabalho.

Na avaliação de Ramos, são três os diferenciais do Aplique Bem: qualidade da atenção, conhecimento técnico demonstrado pelos instrutores e inexistência de aspectos comerciais no Programa. “O Aplique Bem já foi e continua sendo copiado por várias outras empresas, mas nenhum deles teve vida muito longa, apesar de haver maior volume de recursos envolvidos”, diz.

Melhorando

As informações coletadas em mais de 700 pulverizadores avaliados durante os treinamentos do Aplique Bem foram organizadas em um banco de dados. Inédito no Brasil, o banco, além de servir aos técnicos do Aplique Bem para a otimização dos treinamentos, é importante referência para as empresas fabricantes de pulverizadores e para aqueles que trabalham com segurança na aplicação.

“A análise dessas informações viabiliza o conhecimento sobre as causas dos problemas das máquinas e auxilia as indústrias no planejamento das correções, caso o diagnóstico aponte para as etapas de projeto ou fabricação de equipamentos”, afirma o pesquisador do IAC.

De perto

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, participou de um treinamento do Aplique Bem na Usina São Martinho, em Pradópolis, interior paulista. Na ocasião, 45 trabalhadores da usina foram treinados pelo Programa do Instituto Agronômico. Esta é a quinta vez que o Aplique Bem realiza treinamento na São Martinho.

Arnaldo Jardim ressaltou a importância do Aplique Bem para a saúde do trabalhador e também para a economia de produtos aplicados no campo. “ O Brasil é um grande fornecedor mundial de alimentos. Alimentos de qualidade. Temos casos isolados de aplicação no País que precisam ser revistos e esse programa vem auxiliando os produtores nesse sentido”, afirmou.

Mário Ortiz Gandini, diretor da Usina São Martinho, ressalta a importância do Aplique Bem para o treinamento na Usina. “Nossa empresa acredita que quem faz diferença são as pessoas. Saímos desse discurso e vamos para a prática. Os cinco treinamentos do Aplique Bem é a prova disso”, afirma.

Mais informações
Assessoria de comunicação
Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo
(11) 5067-0069

Galeria do Flickr

Nenhuma imagem disponível.

Galeria do Site

Nenhum áudio disponível.

Informações:
Assessoria de Comunicação
Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo
(11)5067-0069

Acompanhe a Secretaria: