INCT Citros promove a integração de pesquisadores multidisciplinares e acelera estudos

Postado em: 10/05/2019 ás 10:58 | Por: Paloma Minke


Cientistas fazem reunião anual no IAC, em Campinas

Reunião de cientistas, que é anual, ocorreu no IAC, em Campinas

Cientistas integrantes do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Plataforma de genômica comparativa, funcional e melhoramento assistido de citros (INCT Citros) fizeram a reunião anual do Programa no Instituto Agronômico (IAC), em Campinas, nos dias 4 e 5 de abril de 2019. Pesquisadores da área de citricultura de diversas instituições de pesquisa e ensino do Brasil, ligados em rede pelo INCT, trataram sobre os aspectos administrativos e científicos dos trabalhos do grupo. A equipe, composta por 21 pesquisadores e 18 bolsistas, é liderada por Marcos Antônio Machado, pesquisador e diretor-geral do IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

O INCT é uma iniciativa com atividades multidisciplinares que reúne cientistas de diferentes áreas, proporcionando oportunidades de discussão integrada, o que torna o grupo de trabalho muito mais produtivo do que se fossem desenvolvidos vários projetos isolados. “Na estruturação do INCT foram reunidas as principais competências na pesquisa em citricultura, que passaram a atuar conjuntamente em várias frentes”, diz Machado. Criado em 2008 o INCT está em sua segunda edição e desde então foram alcançados diversos resultados, como sequenciamento de genomas de laranja doce e tangerina Ponkan, novas variedades copa e de porta-enxerto com tolerância ou resistência a doenças e estresse hídrico, além de plantas de laranja doce geneticamente modificadas com resistência a importantes doenças.

Na reunião em Campinas, estavam presentes pesquisadores do IAC, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual Paulista (UNESP), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio).

Segundo Machado, a linha principal de atuação do INCT é o melhoramento genético de citros. “Por se tratar de uma rede multidisciplinar, com diversas competências em nível de recursos humanos e de instituições, podemos agregar ferramentas genômicas, principalmente, a partir do genoma completo de citros, com suporte em diversas áreas do conhecimento, como biologia molecular, fitopatologia, imunologia e genética”, explica Machado.

“Trocamos experiências, os resultados de um grupo auxiliam outro grupo, as informações se conectam. É muito produtivo, mesmo que um trabalho seja em campo e outro em laboratório”, diz a professora Chirlei Glienke, da UFPR, durante a reunião anual no IAC. Ela, que trabalha em Curitiba, exemplifica a integração dizendo que faz coorientação de pós-graduandos com Machado. “Não é só o aporte financeiro que é importante, mas também essa integração, o INCT me dá essa oportunidade”, diz.

A professora atua no grupo de genética e genômica funcional de fungos patogênicos de citros. O trabalho se destina a compreender como essas doenças ocorrem e, então, encontrar genes que possam controlá-las.

Segundo a professora e pesquisadora, no Vale do Ribeira, no leste do Estado do Paraná, havia cerca de cinco mil citricultores familiares na região de Serro Azul. “Atualmente tem menos da metade”, afirma. Esse processo começou há dez anos em função das doenças fúngicas que atacaram os pomares citrícolas. “Essas famílias migraram para a região metropolitana de Curitiba, tornaram-se urbanos”, diz Chirlei, ao comentar que as doenças no campo resultaram também em um problema social, neste caso.

No noroeste do Paraná, à semelhança do que ocorre em São Paulo, há grandes citricultores, situados na região de Londrina e Maringá. Esses, segundo a cientista, perderam um pouco a condição de exportação, pois a pinta preta dos citros cria barreira fitossanitária. Apesar desse problema, os grandes produtores não sentiram o impacto econômico graças a uma ação do Estado, que instalou uma indústria de suco, fazendo com que eles não perdessem o retorno financeiro. “Isso mostra o impacto do INCT no Brasil todo”, avalia.

De acordo com Machado, o INCT Citros representa a incorporação de avanços científicos e tecnológicos ao melhoramento de citros, um dos mais importantes produtos do agronegócio brasileiro. “Esse programa tem alta relevância científica e coloca o Brasil na linha de frente nos trabalhos de genoma associados ao melhoramento genético, que constitui grande desafio em todas as culturas agrícolas, especialmente em espécies perenes, como citros e café, por exemplo”, destaca.

Presente à reunião em Campinas, Márcio Gilberto Cardoso Costa, da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus, na Bahia, considera que o INCT coloca em contato todos os pesquisadores em nível nacional, proporcionando a discussão sobre onde a pesquisa precisa chegar. “Nesse sistema, cada pesquisador tem sua atividade definida e as ações se complementam”, avalia o engenheiro agrônomo com doutorado em genética e melhoramento. Ele estuda aspectos ligados à tolerância e à suscetibilidade à seca para entender os mecanismos que as plantas usam nessa relação com o déficit hídrico.

Segundo Costa, no nordeste brasileiro não há relatos de huanglongbing(HLB) e os registros de ocorrências de Clorose Variegada de Citros (CVC) são inferiores aos de São Paulo. Ele explica que apesar de haver o inseto vetor do HLB, não há incidência da doença nos pomares baianos. “Os produtores do sudeste foram para lá por não haver registros de doenças, como o HLB”, diz o pesquisador que integra o INCT desde 2008.

A citricultura no litoral norte da Bahia e no sul de Sergipe, juntas, representam 10% da produção nacional citrícola e ficam na segunda posição, atrás de São Paulo. Lá são produzidos a laranja Pera e o limão Tahiti. Algumas fazendas destinam sua produção à exportação, mas a maioria é para o mercado interno.

Na avaliação de Francisco de Assis Alves Mourão Filho, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP), o INCT trouxe a real oportunidade de os pesquisadores trabalharem em rede. “Ele tem o papel imprescindível de preencher essa lacuna, desde o primeiro INCT notei esse benefício de trabalhar em colaboração aberta”.

Pesquisador de cultura de tecidos e transformação genética de variedades, Mourão Filho relata que teve a oportunidade de receber a colaboração de colegas com experiência em clonagem de genes de citros, que não é o campo específico de trabalho dele. “Não somos um grupo numeroso, mas cada um possui uma experiência em determinada área”, diz o pesquisador que tem trabalhos em parceria com o Centro de Citricultura “Sylvio Moreira” do IAC.

O pesquisador considera a formação de recursos humanos como um dos importantes resultados do INCT. “Estamos capacitando jovens pesquisadores em altíssimo nível; semelhante a qualquer nível de formação em instituições do exterior”.

Ele destaca também a importância dos produtos e processos resultantes do INCT, tais como os possíveis materiais em avaliação, que poderão apresentar importância comercial, com reflexos positivos e maior rentabilidade para toda a cadeia de produção. “O INCT promove maior e significativa colaboração entre os trabalhos científicos em andamento; não há sombreamento de assuntos pesquisados, pois, estamos cientes do que cada grupo está trabalhando e somamos esforços, com a complementação dos estudos”, avalia.

Essa somatória de dedicação, competências e recursos fortalece a cadeia citrícola, sobretudo porque os citros, como plantas perenes, exigem décadas de pesquisas até se chegar a resultados. A atuação em rede pode contribuir para acelerar etapas e fazer com que respostas cheguem aos citricultores em menor tempo.

O INCT citros integra várias linhas de pesquisa, dentre elas genoma, genoma funcional de citros e seus patógenos. São integradas as plataformas: Plataforma de Informação Genômica, Plataforma para Aplicação Genômica e Plataforma de Aplicação Genética.

Para superar o longo período de seleção de citros, está focalizando trabalhos de expressão gênica de citros com transformação genética, potencialmente úteis na produção de novos materiais sem alteração significativa de seu padrão varietal.

Dentre os resultados do INCT Citros, destacam-se a conclusão de genoma de outras espécies de citros. Além do genoma de referência de Clementina, foram concluídos os genomas de Poncirus, limão Cravo e tangerina Ponkan. Também foram obtidos novos potenciais cultivares de porta-enxertos com alta tolerância à seca, morte súbita e gomose. Quanto às cultivares copa, alcançou-se a redução do volume da copa, que viabiliza o plantio mais adensado. Há ainda novos híbridos de copa com resistência à CVC, leprose e mancha de alternaria.

“A possibilidade de uso do NAC (N-acetilcisteína) integrado ao controle de Xylella fastidiosa na clorose variegada dos citros é um dos resultados do Programa INCT e conquistado dentro do IAC”, diz Machado. O NAC é uma molécula antioxidante usada em humanos como xarope para desobstruir as vias respiratórias. Nas plantas cítricas ela demonstrou eficiência para o controle de pragas, como a CVC, o cancro cítrico e o HLB.

Machado comenta também que há trabalhos de campo em andamento com plantas de citros geneticamente modificadas com vistas ao aumento da resistência a Xanthomonas citri.

Por Carla Gomes (MTb 28156) – Assessoria de imprensa IAC

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