Fórum de Economia Solidária da Baixada Santista realiza encontros virtuais para consolidar e dar visibilidade ao segmento

Postado em: 28/05/2020 ás 15:21 | Por: Paloma Minke

Denominados Rodas de Conversas, os eventos têm sido realizados pela organização que tem na sua secretaria executiva o extensionista Newton Rodrigues, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA), que atua na Casa da Agricultura de Santos, ligada à Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) Regional São Paulo, e parceiros.

Neste tempo de pandemia, em que as relações sociais, econômicas e com o meio ambiente têm sofrido transformações radicais, o conceito de solidariedade vem ganhando contornos cada vez maiores e se tornando a base de ações que se estendem por diversos segmentos da sociedade. Mas quando se fala em Economia Solidária (Ecosol), ele se expande para além dos sinônimos descritos no dicionário: ajuda, assistência, socorro, caridade. Nesse contexto, ela pode ser concebida como uma alternativa inovadora na geração de trabalho – como meio de emancipação humana em um processo de democratização econômica – e na inclusão social. Nesse caso, a solidariedade é sinônimo de reciprocidade.

“A Ecosol se consolida na forma de uma rede que integra quem produz, quem vende, quem compra; tendo por princípios, democracia, solidariedade, cooperação, respeito à natureza, comércio justo e consumo solidário”, avalia o extensionista Newton Rodrigues, da Casa da Agricultura de Santos,e um dos organizadores das ‘Rodas de Conversa’ e integrante do Fórum da Economia Solidária da Baixada Santista, organização informal plural, integrada por voluntários, entre os quais os extensionistas da SAA e de prefeituras; pesquisadores científicos de universidades como a Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Pontifícia Universidade Católica (PUC); associações e organizações de produtores rurais e de comunidades tradicionais; associações e coletivos de cultura; cooperativa de catadores de recicláveis; e uma associação de consumidores, com 160 membros, que adquirem produtos orgânicos de produtores do Litoral Sul, do Vale do Ribeira e do Alto do Tietê.

Ainda no campo das definições, o conceito de Ecosol pode ser definido como um conjunto de atividades econômicas – de produção, distribuição, consumo, poupança e crédito – organizadas sob a forma de autogestão. Nesse sentido, Newton lembra que no Estado de São Paulo, principalmente na Baixada Santista, existe uma expressiva diversidade de experiências, que precisam ser mais conhecidas da sociedade, ampliadas e consolidadas. “Na área rural temos diversos empreendimentos com pequenos produtores, principalmente orgânicos e agroecológicos, pescadores artesanais, comunidades tradicionais. Há feiras de produtores, a Barraca do Produtor – espécie de drive thru com nove agricultores familiares de Itanhaém – e delivery organizado por eles. Essas experiências são denominadas Redes Solidárias, nos municípios de Peruíbe, Itanhaém, Bertioga e Mongaguá, sendo essa última criada a fim de que a produção agrícola e a comercialização continuassem no munícipio, neste momento de isolamento social e queda na comercialização. Essa reativação contou com a participação e o apoio de membros do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, da Prefeitura Municipal e da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da CDRS Regional. Uma expectativa das Redes Solidárias é dar continuidade a essas formas de comercialização, mesmo após o período de isolamento social, no sentido uníssono de valorizar a produção local, fortalecer a economia do município e estreitar os laços de amizade, confiança e respeito entre as pessoas envolvidas”.

 

Rodas de conversa

A primeira reunião virtual aconteceu no dia 7 de maio, com o objetivo de elucidar os principais pontos da emergência de Redes de Economia Solidária em quatro municípios da região - Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá e Bertioga. A mediação foi feita pelo professor Davis Sansolo, da Unesp, e teve a participação de Juanita Trigo (Peruíbe), Thais Muraro (Itanhaém), Hemerson Calgaro (Mongaguá) e Camila Mie (Bertioga). “O público formado 50 pessoas, principalmente jovens e novos integrantes do movimento de economia solidária de várias cidades, foi unânime em reconhecer a Ecosol como uma reação bem-sucedida, em tempos de pandemia, de pequenos agricultores, pescadores artesanais, artesãos, prestadores de serviços e proprietários de empreendimentos de gestão familiar para manter a economia em movimento. Para todos, ficou claro que a organização da economia, com fundamentação no associativismo, na cooperação com o outro e não na competição, é a única forma de construção de uma vida coletiva melhor”, salienta Newton.

No dia 19 de maio, o tema debatido com 84 pessoas de São Paulo e outros estados foi a Economia Solidária e a Gestão Pública. Na Roda de Conversa, que também contou com a participação do extensionista Newton Rodrigues, da SAA, na organização, esse assunto foi discutido pelo professor André Ricardo de Souza, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); por Abelardo Gonçalves Pinto, vice-presidente da Associação Paulista de Extensão Rural (Apaer); e pela professora e pesquisadora Maria do Rosário C. S. Gomes, da PUC São Paulo; com mediação de Adolfo Homma, articulador do Fórum Paulista de Economia Solidária.

“Para reflexão dos participantes, considerou-se que a governança é construída quando gestão pública efetiva se torna a gestão pública intencional, de acordo com os conceitos, de que a efetiva é um conjunto de ações, leis, atividades e formas de organização existentes ou não realizadas pelo poder público, organizações não governamentais e grupos de Ecosol. E a intencional é aquela que gostaríamos que existisse, com poder público, leis e organizações de Ecosol atuando de forma alinhada, integrados a uma rede sociotécnica, com o processo de construção de autogestão em curso”, informa Newton.

“A nossa conversa girou em torno de gestão pública e Ecosol, mostrando a diferença entre os sistemas convencionais competitivos e os baseados na cooperação, solidariedade e participação popular; bem como na distinção de gestão pública abrangendo diferentes atores e gestão governamental, na qual as decisões são tomadas e os planejamentos efetuados exclusivamente pelos agentes públicos. Destacou-se o papel estratégico da Ecosol de geração de trabalho e renda nesse período pós-Covid-19, mas que para isso será necessária uma interlocução democrática entre os diversos atores. Também ficou clara a importância dos Fóruns de Economia Solidária no processo de incentivo aos empreendimentos econômicos solidários, inclusive foi apresentado o cadastro feito pelo Fórum Paulista, de todos os empreendimentos solidários de São Paulo, para dar maior visibilidade a eles, ressaltando a necessidade de incrementar as políticas públicas voltadas à Ecosol”, avalia Abelardo Gonçalves, da Apaer.

Em sua fala, Abelardo trouxe para o debate a importância do papel do extensionista na mediação dos empreendimentos solidários junto às comunidades rurais, conceituando a extensão rural e destacando a participação da Secretaria de Agricultura, por intermédio da CDRS, com a execução do Projeto Microbacias II, por meio do qual foram investidos milhões de reais em empreendimentos de comunidades quilombolas e indígenas, que se tornou um grande incentivo para a Ecosol em todo o interior do Estado. Também destacou o papel importante da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), na atuação junto aos assentamentos e às comunidades tradicionais, destacando o edital lançado na semana do dia 20 de maio ‒ por meio dele foram adquiridas 25 toneladas de alimentos produzidos nas comunidades quilombolas e entregues às aldeias indígenas, em apoio emergencial durante a pandemia da Covid-19.

Nas duas rodas de conversas realizadas até o momento, ficou claro que as transformações nas relações sociais e comerciais, que estão ocorrendo neste período de pandemia, têm a tendência de se tornarem perenes no decorrer do tempo. O que inclui o teletrabalho e as necessidades de consumos mais locais, novos hábitos sanitários, busca por alimentos mais saudáveis (nesta pandemia levantamentos apontam um aumento de quase 40% na comercialização e consumo de alimentos orgânicos), entre outros.

A próxima edição da roda de conversa, organizada pelo Fórum de Economia Solidária da Baixada Santista, acontece dia 28 de maio, com o tema “A pesca artesanal frente à Covid-19: dificuldades e soluções coletivas”. A mediação será da pesquisadora do Instituto de Pesca, da SAA, Ingrid Cabral Machado. “Serão apresentados dados do volume de captura de pescado nos municípios da Baixada Santista, bem como debatidas as dificuldades enfrentadas pelos pescadores artesanais e as soluções construídas em alguns locais. Os questionamentos que nortearão a discussão serão: é possível pescadores, poder público e consumidores construírem redes econômicas solidárias para fortalecer a pesca artesanal? Como seriam?”, informa Newton.

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