Feira de orgânicos no Jabaquara oferece produtos mais saudáveis e incentivo à agricultura familiar

Postado em: 06/10/2015 ás 11:37 | Por: erick

codeagroConsumidores paulistanos dos saudáveis e ambientalmente corretos produtos orgânicos ganharam, por iniciativa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, mais uma feira livre para levarem saúde à mesa. Desde setembro, a Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro) da Secretaria realiza ao lado da estação Jabaquara do Metrô da capital paulista, todas as sextas-feiras, das 15h às 20h, com entrada gratuita, a Feira de Orgânicos do Projeto Bom Preço do Agricultor.

O objetivo é atender à crescente demanda por orgânicos e oferecer um produto mais acessível, adquirido diretamente do produtor e sem a ideia de que são itens de elite, muito caros. “Identificamos baixa oferta de produtos orgânicos para uma grande demanda, por isso quer fortalecer esses agricultores, fazer com que eles evoluam no processo de produção e ganhem produtividade como forma de baixar o preço final e expandir o setor”, contou Michel Reche Beraldo, titular da Codeagro.

São 27 barracas de frutas, legumes, verduras, ovos, mel, pães, sucos, queijos, arroz, cookies e mais uma grande variedade de produtos cultivados e desenvolvidos sem o uso de defensivos agrícolas. Em sua maioria, a produção exposta na Feira é proveniente na agricultura familiar, o que vai diretamente de encontro ao objetivo do Bom Preço do Agricultor: articular ações para desenvolver a economia regional, agregando valor à pequena e média produção de hortifrutigranjeiros, bem como de produtos agropecuários e agroindustriais.

“A feira no Jabaquara nos permite atender às recomendações do governador Geraldo Alckmin para incentivar a agricultura familiar, unir produção e produtividade agropecuária e preservação ambiental e oferecer alimentos seguros à população paulista. A feira leva a produção direto do campo para o consumidor, a Secretaria oferece assim uma opção de venda de alimentos saudáveis com preços mais acessíveis”, ressaltou o secretário Arnaldo Jardim.

A ideia surgiu no começo de julho dentro da Câmara Setorial de Agricultura Ecológica. Até setembro, a Codeagro mapeou o trânsito de pessoas no complexo estação Jabaquara/terminal EMTU para saber do interesse delas em ter mais um ponto de venda de orgânicos. O resultado das pesquisas foi positivo e deu o pontapé inicial para a instalação da feira, no mesmo espaço onde às quartas-feiras e aos sábados é realizada uma convencional, também iniciativa da Coordenadoria.

Para o futuro

Quem prefere adquirir produtos cultivados sem defensivos pode visitar a barraca do casal Aline e Sidnei Leão, de Mauá, que decidiu consumir orgânicos há cinco anos, quando ela estava grávida e buscou uma forma mais saudável de se alimentar. Sidnei era técnico em segurança do trabalho, mas há pouco mais de um ano deixou o emprego para ser distribuidor da produção de cinco propriedades diferentes.

Ele leva os produtos também para feiras no ABC, em Santo André, e na Baixada Santista, em Santos. “A primeira coisa que eu pensei foi na minha filha, na saúde dela. Porque o orgânico pode ser um pouco mais caro, mas você está pagando por saúde”, explicou Sidnei. O casal garante que há cinco anos, tempo que consomem os orgânicos, não precisa ir à farmácia, não toma medicamentos. Orgulhosa, Aline destacou o açafrão in natura como bom exemplo: com alto poder anti-inflamatório.

Dentre as delícias comercializadas pela família Leão estão ainda geleias de pimenta, uva, goiaba e gengibre – todas conservadas naturalmente pelo próprio açúcar presente nos alimentos. A barraca vende também óleo de coco, cookies, leite condensado, queijo coalho, ricota, mel, ovos e arroz - só para citar alguns.

Outro exemplo de paixão pelos orgânicos vem de Tom Santos, de Cotia, produtor desde 2011, quando buscou esse tipo de produto também pensando na saúde do filho. Agora é a atividade dele, operador logístico de outros agricultores familiares responsável por levar a produção de todos para ser comercializada também em feiras em Santos, em Santo André e em São Paulo – no Largo da Batata e no Parque do Ibirapuera.

Ele classifica sua banca como uma boa opção para quem quer “uma alimentação para curar” comprando delícias como suco de laranja com gengibre e bombom de cacau cru direto da Bahia, indicado principalmente para diabéticos. É na banca dele também que pode ser encontrada a castanha-do-pará vinda de Itaquatiara, no Amazonas. Com maior nível de selênio do que a convencional, deve-se ingerir apenas uma ao dia.

Essa riqueza vem do modo como a castanheira é cultivada. “Ela é plantada respeitando uma distância mínima da outra castanheira, por isso é mais enriquecida”, esclareceu Tom. Ele ponderou que é possível ter lucro com a produção orgânica, mas o retorno financeiro só vem quando há trabalho e esforço “porque você tem que passar mais tempo cuidando da planta justamente por ela não ter nenhum produto químico”.

Adubando a economia

Conhecedora do processo de crescimento de um produto, já que vende pães de fermentação orgânica na feira, Lia Cassetari destacou que, além do ganho ambiental presente neste tipo de produção e dos benefícios à saúde, há ainda a conquista financeira dessas famílias de produtores. “Com o orgânico você tem a economia de base garantida, incentiva a microeconomia e o desenvolvimento locais”, opinou. Para ela, em uma possível crise de abastecimento causada por uma eventual greve de transportadores, a produção orgânica continua garantida por não depender das grandes empresas.

Quem também se mostrou muito animado com o novo ponto para vender sua produção foi Cícero Vieira, de Pedro de Toledo, bananicultor que comercializa as variedades nanica e prata – quando mordidas, têm gosto de infância. Com “a melhor expectativa possível”, Cícero contou que as pessoas que já estão habituadas com orgânicos gostaram de contar com mais um local para suas compras. E quem ainda não conhecia este tipo de produção chegou à banca dele, quis saber mais e levou para casa pelo menos uma penca de bananas.

Também feirante de orgânicos em Santos, ele explicou que muitas vezes, de forma rápida após a compra, “as bananas convencionais apodrecem por fora e ainda estão marrentas por dentro”. Já a orgânica amadurece de maneira uniforme: por dentro e por fora. “A gente respeita a natureza para produzir. É a natureza que nos dá tudo. Quem compra orgânicos está comprando saúde”, opinou Cícero.

Com um bom ponto a ser explorado devido ao grande trânsito de pessoas na estação Jabaquara e terminal EMTU, a Feira de Orgânicos tem animado seus participantes, todos com boa expectativa e confiantes no apoio recebido da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. “É bom porque você tem mais apoio, dá mais força para nós quando temos o governo junto”, contou Estevão Saraiva Caldeira, produtor de Ibiúna.

Estevão destacou também que apenas cerca de 10% das pessoas que foram até a barraca dele não conheciam a produção orgânica, mas, quando esclarecidas sobre o assunto, entendiam porque estavam pagando um pouco mais caro por aquele produto. “A gente sabe que é o melhor para o organismo, aqui até o adubo é orgânico”, garantiu, expondo orgulhoso sua produção de verduras e legumes.

Não esqueça a sacola retornável e boas compras!

Feira de Orgânicos – Jabaquara: todas as sextas-feiras, das 15h às 20h

Rua dos Comerciários, ao lado do Metrô Jabaquara

Entrada gratuita

 

Por Hélio Filho

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