Especialistas da pesquisa, produção e setor público debatem os desafios para buscar a produção agropecuária sustentável

Postado em: 02/05/2017 ás 19:12 | Por: Comunicação SAA

Especialistas debateram desafios para buscar a produção agropecuária sustentável (Foto: João Luiz)As perspectivas e os desafios de incorporar medidas ambientalmente sustentáveis na produção agropecuária foram debatidos por especialistas dos setores da pesquisa, produtivo e público no painel “Agricultura em harmonia com o meio ambiente”, realizado no dia 2 de maio de 2017, durante a 24ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), em Ribeirão Preto. O debate do tema integra a programação do Seminário “Agenda do Agronegócio – Agricultura do Futuro”, iniciativa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, para debater focos de atuação da Pasta como produção harmônica com o meio ambiente, incentivo à pesquisa, apoio ao produtor e alimentação saudável.

O debate teve a presença do secretário de Estado do Meio Ambiente, Ricardo Salles; do pesquisador Marcos Fava Neves; do presidente da John Deere Brasil, Paulo Hermann e do coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), Orlando Melo de Castro, que apontaram fatores como a necessidade da mudança de conceitos, a desburocratização, investimentos e acesso ao conhecimento como medidas que poderão tornar a produção agropecuária paulista ambiental, econômica e socialmente sustentável.

De acordo com o secretário Arnaldo Jardim, a iniciativa faz com que a Agrishow seja um espaço não só para se pensar no momento atual da produção, com os produtos, serviços e tecnologias disponíveis atualmente, mas também uma oportunidade para que se pense no futuro, sob o ponto de vista da pesquisa, da produção e das políticas públicas. “Neste mundo que se prepara para superar a economia baseada em combustíveis fosseis, nosso o Brasil estará na vanguarda, com a geração de energias renováveis e a sustentabilidade será o caminho para isso”, afirmou.

Para o prefeito de Ribeirão Preto, Antonio Duarte Nogueira, que participou da abertura, o seminário retrata o que deverá ser o diferencial do futuro em qualquer sistema produtivo. “Os tomadores de decisão não devem deixar de lado a relação dos seres humanos com recursos sociais, ampliando nossa capacidade de melhorar a qualidade de vida, o que vale para a produção e planejamento”, ressaltou.

Conforme destacou o secretário de Meio Ambiente, Ricardo Salles, é necessária uma mudança de mentalidade para melhorar a eficiência e a produtividade, de forma que o poder público possa cumprir o seu papel de nortear e incentivar o setor produtivo, apoiando especialmente o pequeno agricultor. De acordo com o secretário, o trabalho alinhado entre as Pastas da Agricultura e do Meio Ambiente possibilitou, por exemplo, a desburocratização do licenciamento ambiental para a aquicultura paulista, permitindo a regulamentação e o incentivo da atividade no Estado, beneficiando os pequenos e médios produtores.

 “Há grandes oportunidades de preservar o meio ambiente com a contribuição da agricultura, desde que haja o princípio da razoabilidade. Com responsabilidade, equilíbrio entre o desenvolvimento ambiental e social e o bom senso, cabe ao administrador público analisar cada situação à luz da realidade, viabilizando a atividade”, avaliou Ricardo Salles.

Outro ponto que pode propiciar esse equilíbrio, na opinião do presidente da John Deere do Brasil, Paulo Hermann, é a aplicação de tecnologias de integração de sistemas produtivos, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). “Precisamos proteger o produtor rural, que está sujeito a vários fatores de risco, como o clima. E a melhor forma de fazer isso é utilizar a integração, fazendo com que ao invés de uma safra, o produtor tenha cerca de três safras por ano, mantendo a propriedade produtiva”, afirmou o especialista, reconhecido pela disseminação do conceito em todo o País.

Para Hermann, o ILPF é mais do que um arranjo produtivo, mas sim “uma maneira de mitigar riscos e criar barreiras contra a fragilização do setor”, concluiu.

A preocupação do Estado e da pesquisa em estudar práticas conservacionistas teve início com a cessão de conservação do solo em 1942 pelo Instituto Agronômico (IAC), conforme lembrou Orlando Melo de Castro, da Apta. Com a modernização da agricultura nos últimos anos, os avanços em conservação e preservação ambiental tornaram-se mais significativos, com práticas de menor impacto ambiental, como plantio direto, manejo integrado e controle biológico de pragas, desenvolvimento de plantas resistentes a doenças e transgenia e intrangenia.

“Temos que avançar na adoção da Integração Lavoura Pecuária e ILPF, no processamento e utilização de resíduos rurais e agroindustriais e na transformação da vinhaça em resíduo sólido”, apontou o titular da Apta, reforçando que a agricultura será a principal fonte de produção de água, principal fonte para mitigação de gases de efeito estufa.

Para Marcos Fava Neves, o Brasil tem pela frente a missão de prover alimento ao mundo e a adoção de medidas sustentáveis durante esse processo poderá se reverter em grandes benefícios econômicos, sociais e ambientais. “De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil precisará ampliar sua área de soja em 11 milhões de hectares para atender à demanda mundial por proteína animal”, afirmou.

De acordo com as metas estabelecidas pelo Brasil na Conferência do Clima em Paris, em 2016, somente no setor sucroalcooleiro, o investimento estimado é de US$ 31 bilhões na formação de canaviais e criação de 80 novas usinas em 13 anos. “Os benefícios abrangem a saúde pública, conservação de áreas agrícolas, fonte de energia renováveis e limpas e geração de energia no local onde é consumida, evitando desperdício de transporte”, enumerou, citando ainda a geração de 80 mil empregos diretos e 240 mil indiretos e o fortalecimento do empreendedorismo, com o surgimento de novas oportunidades de negócios.

“Não há outra oportunidade de inclusão do País no cenário internacional senão por meio do agronegócio. Podemos ser a agricultura mais sustentável e que abastecerá o crescimento populacional esperado no mundo”, disse Fava Neves.

Autoridades e visitantes da Agrishow que acompanharam o primeiro painel promovido pela Secretaria reforçaram a importância do equilíbrio entre a produção agropecuária e o meio ambiente.

Para a Marta Maria Gomes dos Santos, da Socicana, o debate do tema é crucial para o desenvolvimento da agropecuária paulista. “O secretario Arnaldo Jardim tem feito um importante esforço para manter o relacionamento com a Pasta de Meio Ambiente, que também ganhado dinamismo, para que o produtor se regularize ambientalmente. Essa é a vontade do produtor, preservar as áreas de proteção permanente e os mananciais”, afirmou.

“Eventos como este são importantes para que os especialistas no tema possam fornecer orientações para desenvolver uma agricultura mais sustentável. O País já avançou bastante, mas é possível melhorarmos as práticas ainda mais”, opinou Victor Stefani, administrador da empresa Stefani Fertilizantes, de Goiás.

O Seminário Agenda do Agronegócio – Agricultura do Futuro tem o apoio institucional da EPTV, apoio de mídia do jornal A Cidade e das rádios CBN e Jovem Pan, e apoio da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Copercana), Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste), Sicoob Cocred – Cooperativa de Crédito e RibArte.

Por Paloma Minke
Fotos: João Luiz

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