Esalq apresenta à Secretaria artigo derrubando ideia de que lavouras são as vilãs da crise hídrica

Postado em: 08/10/2015 ás 11:31 | Por: erick


criseA preocupação com a preservação dos recursos hídricos foi na terça-feira, 6, o foco na programação vespertina do primeiro dia da 58ª Semana Luiz de Queiroz, promovida pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba. Com seu Gabinete transferido para a instituição de ensino referência em ciências agrárias, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, conheceu o estudo científico capaz de medir o gasto de água na produção de milho e os vencedores do concurso “Desafio da Água”, que envolveu toda a comunidade em uma disputa com objetivo de conscientizar sobre a preservação hídrica.

Resposta cientificamente embasada contra a ideia de que a agricultura é a grande vilã da crise hídrica, o artigo “Índice de uso de água na cultura de milho” foi apresentado ao secretário por Durval Dourado Neto, vice-diretor da Esalq e um dos autores do estudo que mede a quantidade de água consumida durante o ciclo da cultura. Ainda em linguagem científica, não acessível a um público amplo, o artigo tem também como autores os pesquisadores Klaus Reichardt, Quirijin de Jong van Lier, Ricardo Ferraz de Oliveira e Luiz Gustavo Nussio, diretor da Esalq.

Os estudiosos utilizaram 24 variáveis diferentes para fazer o cálculo, chegando à conclusão de que as lavouras não são as responsáveis pelo déficit hídrico, já que a água não é desperdiçada: parte dela serve para o desenvolvimento da planta, outra parte penetra no solo e o restante é transpirado de volta à atmosfera. Com base nisso, os autores acreditam que a produção agrícola não gasta, mas “empresta” a água. Em média, são dois litros por quilo de milho produzido, um número que pode variar de acordo com as condições atmosféricas de cada lugar.

Isso porque, segundo explicou Durval Neto, a cultura do milho (assim como as outras) utilizará mais água se a radiação solar que incide naquele local for mais alta, com umidade relativa do ar mais baixa. O estudo foi recebido como um importante argumento contra a tese de que as lavouras consomem mais água do que deveriam. O importante é o conceito que o artigo traz, os caminhos de conhecimento para os quais ele sinaliza. “A primeira coisa a se destacar é esse ponto de variação de um local para outro. Fizemos esse estudo no intuito de mostrar que a agricultura não é a vilã”, ponderou o vice-diretor da Esalq.

Arnaldo Jardim classificou o estudo como “um prêmio para nós” por enfrentar a fustigação e o terrorismo feitos em cima do gasto hídrico no campo. “Agora contamos com um texto cientificamente embasado para tratar essa questão. Nos possibilita tomar iniciativas importantes, termos protagonismo nessa discussão”, apontou o secretário.

Para o diretor da Escola Superior, essas especulações sem embasamento científico acontecem porque nem sempre os pesquisadores são unidos o suficiente para produzirem estudos como o apresentado ao secretário, e que será publicado na revista “Visão Agrícola”. “A falta de alianças na comunidade científica para embasar o assunto gera espaço para essa postura draconiana contra a agricultura”, opinou Luiz Nussio.

Com futuro

A programação vespertina do primeiro dia da 58ª Semana Luiz de Queiroz contou ainda com premiação para as melhores ideias sobre preservação dos recursos hídricos no concurso “Desafio da Água”, parte do projeto “Água&Esalq”. A iniciativa teve participação não apenas dos acadêmicos da Esalq, mas também da comunidade externa que frequenta o campus, premiando ideias nas categorias Frases, Projetos e Fotos.

Vencedora do primeiro lugar na categoria Fotos, Yasmin Cristina Hess estava orgulhosa pelo resultado alcançado com sua imagem mostrando as mãos de três pessoas tentando segurar a água, com o icônico Edifício Central de fundo. A relação dela com o meio ambiente não surgiu com o concurso, Yasmin é acadêmica do segundo ano de Engenharia Florestal e participa do projeto “Moradias Sustentáveis”.

Yasmin explica que a iniciativa “capta a água da chuva para ser reutilizada dentro do campus para regar a horta e fazer a limpeza, nunca para ser consumida”. Para produzir a foto vencedora, ela contou com a participação de três amigas também preocupadas com a crise hídrica. A imagem vem acompanhada da frase “A água é de todos, um direito, um dever”.

Frequentadora do lago da Esalq com sua turma de amigos, a estudante Amanda Jakchesk ganhou menção honrosa na categoria Frases com “Água um recurso importante, mas sendo utilizado de forma incorreta pode ser esgotável. Preserve sua própria vida!”. Estudante da Escola Estadual João Alves de Almeida, em Tanquinho, Amanda explicou que a ideia de participar do concurso veio de seu professor de História.

Após uma seleção dentro da própria classe, as melhores ideias foram inscritas no “Desafio da Água”, envolvendo toda a turma dela. “Achei incrível ter ganhado. Depois desse concurso eu com certeza vou economizar bem mais água, senão acaba logo”, contou ao lado da amiga Thaiza Roberta Pereira Gonçalves, também vencedora da menção honrosa na mesma categoria. A frase de Thaiza atenta que “A água só é levada a sério quando está faltando. Que pena!”. “Se não economizar, uma hora vamos abrir a torneira e não vai ter água, aí já era”, disse.

Ainda longe de estudar na Esalq, mas frequentadora do campus ao lado do avô que canta no coral da instituição, Larissa Couto tem apenas 7 anos, mas já percebeu que é preciso tratar com respeito a natureza para continuar tendo água em sua torneira. A frase preferida dela foi “Use a água sempre como se fosse a última gota”, de autoria de Yvan Jaoude e que ganhou menção honrosa na categoria Frase.

Ao lado do orgulhoso avô vendo a neta ganhar consciência ambiental, Larissa mostrou que entendeu exatamente o que o concurso queria dizer. Ela achou “muito legal a exposição para saber que tem que economizar água. Tem que cuidar do planeta, coitadinho”. A programação da 58ª Semana Luiz de Queiroz segue até o próximo sábado, 10 de outubro.

Por Hélio Filho

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