Congresso Paulista de Fitopatologia reúne participantes de 15 Estados brasileiros e de outros dois países

Postado em: 17/02/2017 ás 9:34 | Por: Comunicação SAA

Cerca de 300 profissionais e acadêmicos da área de fitopatologia estiveram reunidos na sede do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, durante o Congresso Paulista de Fitopatologia, realizado em Campinas de 7 a 9 de fevereiro de 2017. Os participantes vieram de 15 Estados brasileiros, além de um do Equador e outro do Paraguai. A maioria deles veio de São Paulo, 23 vieram de Santa Catarina, 14 do Paraná, 12 vieram de Goiás e 10 de Minas Gerais. Estudantes de graduação representaram um terço do público. Também houve grande presença de profissionais e pós-graduandos.

Na palestra sobre qualidade e segurança na tecnologia de aplicação de fungicidas, Ulisses Antuniassi, da Unesp/Botucatu, apresentou os desafios e as inovações tecnológicas. De acordo com o palestrante, entre os desafios está o aumento da capacidade operacional, a melhoria do desempenho fitossanitário, a pressão para a redução de impacto ambiental, a redução do risco de deriva, os fungicidas protetores e o manejo adequado.

O pesquisador destacou a fiscalização da sociedade por alimentos sem impacto ambiental e com aplicação adequada de defensivos. “Há uma necessidade de que a agricultura tenha um bom desempenho e também esteja alinhada à segurança ambiental”, resume.

Antuniassi abordou aspectos relacionados à uniformidade de gotas, ao risco de deriva e ao espectro de gotas. Ele explicou que há um dilema entre os técnicos, pois quanto mais finas forem as gotas, maior o risco de deriva; enquanto que gotas maiores não possuem fixação uniforme. “As gotas mais finas cobrem melhor as folhas inferiores, ao contrário das grossas, mas há uma maior possibilidade de impacto do solo. Desta forma a escolha da ponta deve ser analisada sob aspectos da cultura e das características do local”, recomenda.

O pesquisador discutiu sobre a importância da necessidade de ajuste correto da quantidade de pulverização em comparação com área de cultivo, análise climática, janelas de aplicação e planejamento operacional. Sobre a utilização de maquinário, ele frisou que elas devem estar bem calibradas e usadas de forma correta de acordo com as particularidades de manejo e cultura. “A máquina em alta velocidade reduz o custo, mas proporciona aplicação irregular provocando falha no controle”.

Outro ponto analisado foi a relação aplicação e clima. Antuniassi informou que a aplicação tem que ser realizada com a umidade do ar superior a 50%, com temperatura inferior a 30°C e velocidade do vento entre 3 a 10 km/h. “Tempo frio com céu claro propicia que as gotas flutuem e, assim, não se depositam na cultura”, exemplifica.

O pesquisador reforçou a necessidade da adoção de boas práticas agrícolas para atender questões ambientais, mas também para corresponder à demanda da sociedade, que está exigindo alimentos não intoxicados e questionando algumas formas de aplicação.

O tema Gestão Territorial Aplicada ao Planejamento de Defesa Fitossanitária foi abordado pelo pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Rafael Mingoti. Para o palestrante, algumas pragas chegam em cargas e malas. Uma pesquisa da Embrapa buscou a intersecção entre as rota e mapeou os locais onde estão as pragas no mundo e as condições climáticas favoráveis para elas. Mingoti ressaltou a necessidade de parcerias, planejamento de controle de pragas e informações em todo território nacional sobre este assunto.

Também com relação à defesa fitossanitária no Brasil, a pesquisadora do IAC Christina Dudienas falou sobre as ações do quarentenário IAC. O Instituto Agronômico tem um dos dois quarentenários brasileiros e a tarefa de analisar a qualidade fitossanitária de materiais vegetais importados para fins de pesquisa. Estes materiais podem ficar em quarentena de meses a anos, dependendo da espécie vegetal e do país de origem.

O IAC tem uma estação quarentenária nível 1, que permite ao Instituto receber ou importar qualquer material vegetal, incluindo o geneticamente modificado, de qualquer país de origem. A pesquisadora explica que o quarentenário presta serviço para mais de 30 países e também para institutos e empresas. De acordo com Christina, as pragas de sementes foram as mais comuns no Brasil de 2012 a 2016.

A participação do Instituto Biológico nas atividades de defesa da fitossanitária no Brasil foi apresentada pela pesquisadora Eliana Borges, que afirmou que muitos casos de cultivares chegam ao País de maneira ilegal e, portanto, sem análise prévia.

A contribuição da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) do Estado de São Paulo foi apresentada por Mário Sérgio Tomazela, que falou sobre as atividades do órgão na área de fiscalização de agroquímico, controle de cancro cítrico, controle de Huanglongbing, vigilância de propagação de citros, café e seringueira e fiscalização de uso e conservação do solo para agricultura.

A respeito da cultura do milho, os palestrantes destacaram o plantio quase sem pausa, situação que beneficia a ocorrência da cigarrinha. A pesquisadora da Embrapa Elizabeth Sabato diz que a cigarrinha se alimenta praticamente só de milho e, com a programação sem interrupção, não é possível eliminar a praga. Em algumas localidades, há perdas de 70%. A falta de rotação de cultura também contribui para acentuar esse quadro. Elizabeth explica que a cigarrinha migra para longas distâncias e, como não há vazio sanitário, provocam desequilíbrio no sistema.

A pesquisadora destaca a necessidade da adoção de medidas preventivas, dentre elas a identificação das doenças, planejamento, evitar o plantio de milho em áreas de grande incidência da doença, sincronização de período de semeadura, adoção de cultivares resistentes e de tratamento de sementes com inseticida, além de interrupção temporária de plantio em áreas de enfezamento.

Participação

“São Paulo é um grande produtor de tecnologias, vir na fonte conhecer é muito interessante”, diz Leonardo Castro, que veio de Iporá, Goiás, interessado pela programação. Para Castro, professor de Fitopatologia do Instituto Federal Goiano, no Congresso é possível ver o resultado da pesquisa que já é aplicado no campo. “Você vê aqui e pode ir para o campo aplicar depois”, resume. Ele diz que o conhecimento abordado no Congresso é aplicável em Goiás, elogiando ainda a programação do evento por não estar focada somente em São Paulo, perfil que atende aos congressistas vindos de diversas regiões.

Marcus Tomaz, aluno do quarto ano do curso de Agronomia do Instituto Federal Goiano, esteve em seu primeiro Congresso de Fitopatologia. “Gostei muito, eles abordam bastante a parte prática, de campo. Mesmo um aluno que estivesse começando o curso, poderia acompanhar bem porque a linguagem é muito acessível”, diz.

Outro professor congressista veio do Equador. Miguel Quilambaqui Jara trabalha na Escuela Superior Politecnica Del Litoral, com linha de pesquisa em agroindústria na área de qualidade do café. Para ele, a participação em congressos, além de ser uma exigência da Universidade onde trabalha, é de extrema importância para um pesquisador por conta da troca de conhecimentos que ocorre em eventos como este. Jara avalia positivamente o Congresso e acredita que é importante o intercâmbio de conhecimentos entre Brasil e Equador.

O aluno de doutorado da Universidade Federal do Paraná, Tiago Miguel Jarek, veio ao Congresso Paulista de Fitopatologia pela terceira vez. A primeira foi em 2012 e depois, em 2016. “Em todas as vezes, a qualidade do evento é muito boa, tanto técnica quanto na recepção aos participantes”, avalia. Jarek pesquisa Fusarium em palmito pupunha, cultivado no litoral do Paraná e em alguns municípios do interior do Estado. Ele também ministra cursos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-PR).

Robert Wierzbicki, de Bragança Paulista, interior paulista, é fitopatologista e atua na área de inspeção sanitária em produção de sementes de hortaliças, em programa de prevenção de doenças e em capacitação de agricultores. Biólogo de formação, com mestrado em agronomia, ele veio em busca de novos produtos e novas tecnologias, além de fazer contatos com pessoas da área. “A programação é curta, mas bastante objetiva”, diz.

Para o secretário de Agricultura, Arnaldo Jardim, a qualidade do conhecimento e das tecnologias geradas pelas instituições paulistas na área de fitopatologia atrai os profissionais brasileiros. “São Paulo é uma referência na geração de informação, assim como recomenda o governador Geraldo Alckmin”, diz.

Por Carla Gomes

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