{"id":10149,"date":"2021-04-16T00:00:00","date_gmt":"2021-04-16T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/agricultura.sp.gov.br\/cati\/2021\/04\/16\/pimentoes-que-coloriram-a-vida-dos-produtores-rurais-de-itapolis-comecam-a-ser-colhidos-na-safra-deste-ano\/"},"modified":"2021-04-16T00:00:00","modified_gmt":"2021-04-16T03:00:00","slug":"pimentoes-que-coloriram-a-vida-dos-produtores-rurais-de-itapolis-comecam-a-ser-colhidos-na-safra-deste-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agricultura.sp.gov.br\/cati\/2021\/04\/16\/pimentoes-que-coloriram-a-vida-dos-produtores-rurais-de-itapolis-comecam-a-ser-colhidos-na-safra-deste-ano\/","title":{"rendered":"Piment\u00f5es que coloriram a vida dos produtores rurais de It\u00e1polis come\u00e7am a ser colhidos na safra deste ano"},"content":{"rendered":"<div class=\"blog margin-bottom-40\">\n<h2>Piment\u00f5es que coloriram a vida dos produtores rurais de It\u00e1polis come\u00e7am a ser colhidos na safra deste ano<\/h2>\n<div class=\"blog-post-tags\">\n<ul class=\"list-unstyled list-inline blog-info\">\n<li><i class=\"fa fa-calendar\"><\/i> 16\/04\/2021<\/li>\n<li><i class=\"fa fa-pencil\"><\/i> Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o<\/li>\n<\/ul>\n<ul class=\"list-unstyled list-inline blog-tags\">\n<li>\n<i class=\"fa fa-tags\"><\/i><br \/>\n<a class=\"color-dark\" href=\"\/portal\/imprensa\/noticias?tag=Extens\u00e3o Rural\">Extens\u00e3o Rural<\/a><a class=\"color-dark\" href=\"\/portal\/imprensa\/noticias?tag=Produtores Rurais\">Produtores Rurais<\/a><a class=\"color-dark\" href=\"\/portal\/imprensa\/noticias?tag=estufa\">estufa<\/a><a class=\"color-dark\" href=\"\/portal\/imprensa\/noticias?tag=Piment\u00e3o amarelo\">Piment\u00e3o amarelo<\/a><a class=\"color-dark\" href=\"\/portal\/imprensa\/noticias?tag=cultura de piment\u00f5es\">cultura de piment\u00f5es<\/a> <\/li>\n<\/ul>\n<ul class=\"list-unstyled list-inline blog-info\">\n<li style=\"float: left;\">\n<div id=\"fb-root\"><\/div>\n<div class=\"fb-share-button\" data-layout=\"button_count\" data-mobile_iframe=\"true\" data-size=\"large\"><\/div>\n<p><noscript><\/p>\n<div class=\"alert alert-danger\">Voc\u00ea precisa habilitar o Javascript em seu navegador para que este site funcione e seja exibido completamente.<\/div>\n<p><\/noscript><\/li>\n<li><a class=\"twitter-share-button\" data-lang=\"en\"><\/a><br \/>\n<noscript><\/p>\n<div class=\"alert alert-danger\">Voc\u00ea precisa habilitar o Javascript em seu navegador para que este site funcione e seja exibido completamente.<\/div>\n<p><\/noscript><\/li>\n<li>\n<div class=\"g-plus\" data-action=\"share\" data-annotation=\"bubble\"><\/div>\n<p><noscript><\/p>\n<div class=\"alert alert-danger\">Voc\u00ea precisa habilitar o Javascript em seu navegador para que este site funcione e seja exibido completamente.<\/div>\n<p><\/noscript><\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<div class=\"blog-img\">\n<img decoding=\"async\" alt=\"\" class=\"img-responsive center-block\" src=\"\/portal\/themes\/unify\/img\/noticias\/13399-pimentaoamarelo.-iyo.jpg\"\/>\n<\/div>\n<p><p style=\"text-align: justify;\">Em It\u00e1polis \u00e9 tempo de iniciar a colheita do piment\u00e3o, atividade que envolve cerca de 50 produtores, a maioria pequenos, e que representa boa parte da economia gerada pela atividade agr\u00edcola no munic\u00edpio. A colheita, embora v\u00e1 at\u00e9 dezembro e seja poss\u00edvel produzir o ano todo, tem sua melhor fase entre abril e outubro; j\u00e1 os meses de janeiro e fevereiro costumam ser dedicados ao plantio. Segundo os \u00faltimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), divulgados em 2018, o agro voltado ao piment\u00e3o em It\u00e1polis foi respons\u00e1vel por um faturamento em torno de R$ 7,2 milh\u00f5es, que representaram 4,23% do PIB (Produto Interno Bruto). J\u00e1 em 2020, o valor aproximado \u00e9 de R$ 8,1 milh\u00f5es em faturamento, mostrando o qu\u00e3o \u00e9 representativo o cultivo do piment\u00e3o no munic\u00edpio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u00e1rea rural de It\u00e1polis tem aproximadamente 100 mil hectares, onde est\u00e3o instaladas, segundo o LUPA \u2212 Levantamento Censit\u00e1rio das Unidades de Produ\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola do Estado de S\u00e3o Paulo \u2212\u00a0 2.427 propriedades. \u201cEm 2021 ocorreu um aumento expressivo da \u00e1rea de cultivo de pepino, dobrando para 30%, sendo assim, ter 10 ha dedicados a uma \u00fanica cultura \u00e9 bastante representativo\u201d, afirma o engenheiro agr\u00f4nomo S\u00edlvio Carlos Pereira dos Santos\u00a0, respons\u00e1vel pela Casa de Agricultura local, vinculada \u00e0 Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustent\u00e1vel (CDRS) Regional Jaboticabal, conhecida por sua grande diversidade em produtos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entorno de It\u00e1polis existem 15 munic\u00edpios produtores, os quais englobam as Regionais de Jaboticabal, Araraquara e Catanduva da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustent\u00e1vel (CDRS), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, e onde s\u00e3o encontrados 110 hectares de estufas de produ\u00e7\u00e3o de oler\u00edcolas, em especial piment\u00e3o, pepino e tomate. It\u00e1polis, que \u00e9 da \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o da CDRS Regional Jaboticabal, faz divisa com oito desses munic\u00edpios e o carro-chefe da produ\u00e7\u00e3o em estufas \u00e9 o piment\u00e3o, com 80% da \u00e1rea, seguido pelo pepino, com 15%, e tomate com 5%, sendo, portanto, com 10 ha de estufas o carro-chefe em produ\u00e7\u00e3o de piment\u00f5es vermelhos e amarelos da variedade Lamuyo.<\/p>\n<div class=\"caption left\"><\/p>\n<p>Piment\u00e3o amarelo<\/p>\n<p><\/img><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPiment\u00f5es de colora\u00e7\u00e3o variada, laranja, roxo, creme, tamb\u00e9m podem ser encontrados em It\u00e1polis, por\u00e9m em pouca quantidade, atendendo mercados espec\u00edficos, como algum restaurante em especial, mas o maior mercado, sem d\u00favida, \u00e9 o do piment\u00e3o vermelho, sendo a propor\u00e7\u00e3o de duas caixas do vermelho para um caixa de amarelos\u201d, explica o t\u00e9cnico. Quanto aos verdes, geralmente s\u00e3o plantados a campo poque t\u00eam uma lignina que faz com que aguentem o sol, coisa que os coloridos n\u00e3o aguentam e, portanto, s\u00f3 podem ser produzidos em estufas.\u00a0 \u201cTenho um produtor que tira alguns verdes no in\u00edcio da colheita e deixa as demais ruas para amadurecer e se transformarem em vermelhos e amarelos, mas \u00e9 para atender a um nicho espec\u00edfico. Com este planejamento ele consegue ter e comercializar piment\u00f5es o ano todo\u201d, explica S\u00edlvio, dizendo que para tudo \u00e9 preciso haver gest\u00e3o e planejamento do agroneg\u00f3cio. \u201c\u00c9 a \u00fanica forma de dar certo e obter rentabilidade na agricultura. Tenho um produtor que vive, economicamente falando, muito bem produzindo em uma pequena \u00e1rea, por\u00e9m \u00e9 um agricultor atento tanto aos tratos quanto ao mercado\u201d, explica o t\u00e9cnico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">It\u00e1polis tamb\u00e9m sedia, desde 2016, a Festa do Piment\u00e3o, realizada normalmente no m\u00eas de julho que \u00e9 quando as temperaturas baixam no Sul do Pa\u00eds e os produtores de It\u00e1polis passam a vender tamb\u00e9m para a regi\u00e3o, de maio at\u00e9 setembro, meses mais frios, tendo, portanto, maior procura e, consequentemente, eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os. \u201cNo ano passado, devido \u00e0 pandemia, a Festa foi virtual e realizada no m\u00eas de dezembro. Para este ano, voltamos ao calend\u00e1rio institu\u00eddo oficialmente, segundo domingo do m\u00eas de julho\u201d, diz S\u00edlvio que \u00e9 um dos organizadores, concluindo: \u201cTrata-se de um dia de festa, por\u00e9m uma semana de palestras t\u00e9cnicas sobre hortifruti e j\u00e1 conta com um p\u00fablico cativo, que busca por informa\u00e7\u00f5es e novidades nessa \u00e1rea\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Piment\u00e3o: desafio de produtores engajados<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos produtores acreditaram na alternativa e se engajaram no desafio que \u00e9 o cultivo em estufas. Valdecir Fernandes \u00e9 t\u00e9cnico agropecu\u00e1rio por forma\u00e7\u00e3o e durante anos consultor em citros, atividade que foi dando espa\u00e7o ao cultivo de piment\u00f5es, tomates especiais e pepinos em estufa. Como n\u00e3o tinha terra, Valdecir arrendou em parceria com um parente para a instala\u00e7\u00e3o da primeira estufa em 2012. De 2012 a 2016, o agora tamb\u00e9m produtor rural foi aumentando a \u00e1rea aos poucos at\u00e9 chegar a sete mil metros quadrados de estufas, 70% dedicados aos piment\u00f5es e 30% dividido entre o tomate especiarias (aquele que vem em cachos) e pepino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cJ\u00e1 cheguei a produzir 70 toneladas no ciclo total (in\u00edcio da colheita em abril e t\u00e9rmino em setembro), por\u00e9m com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e1 sendo mais dif\u00edcil obter essa produtividade, hoje fica na casa das 50 mil toneladas\/ciclo com colheita semanal\u201d, explica Valdecir. Al\u00e9m das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas outro problema tem sido o combate \u00e0s pragas de solo, em especial nemat\u00f3ides. \u201c\u00c9 muito comum vir a ocorrer porque se o plantio ocorre em campo aberto, voc\u00ea pode fazer uma rota\u00e7\u00e3o, mas como o cultivo \u00e9 sempre dentro da mesma \u00e1rea, protegida pela estufa, \u00e9 preciso estar atento e investir. \u00c9 uma cultura tecnificada a produ\u00e7\u00e3o em estufas, mas permite ter produ\u00e7\u00e3o, gerar renda e emprego (tem dois empregados fixos, mas j\u00e1 est\u00e1 sendo necess\u00e1rio aumentar essa m\u00e3o de obra) em menos de um hectare. O investimento na constru\u00e7\u00e3o desses sete mil metros de estufa foi de cerca de R$ 500 mil, mas, junto a isso tenho a satisfa\u00e7\u00e3o de dizer que cinco fam\u00edlias est\u00e3o vivendo dessa atividade nessa pequena \u00e1rea\u201d, afirma Valdecir.<\/p>\n<div class=\"caption left\"><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Paulo Martins dos Santos, o Paulinho, trabalhava como empregado nas primeiras estufas instaladas em It\u00e1polis e montou a primeira estufa em 2013<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O investimento foi todo feito com recurso do Pronaf, os primeiros foram pagos, mas tem sempre algo a fazer, como a renova\u00e7\u00e3o das estufas e n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel entrar e permanecer na atividade sem o financiamento porque atrelado ao financiamento, que permite crescer, modernizar, reformar, vem o seguro contra intemp\u00e9ries, granizo, etc, \u201c\u00e9 um investimento de risco, ent\u00e3o tem que ter a garantia do seguro, esse \u00e9 um dado importante, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel investir neste tipo de cultivo sem contar com o seguro rural\u201d, ensina o t\u00e9cnico em agropecu\u00e1ria que est\u00e1 deixando de ser consultor para se dedicar somente a ser produtor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As hist\u00f3rias daqueles que acreditaram no cultivo de piment\u00f5es se misturam. Jos\u00e9 Paulo Martins dos Santos, o Paulinho, trabalhava como empregado nas primeiras estufas instaladas em It\u00e1polis. Mas em 2013 veio o convite do vizinho Daniel Antonio Vicentim para montarem a primeira estufa em parceria. No ano seguinte montaram a segunda e, em 2019, a terceira somando 4.200 m<sup>2\u00a0\u00a0<\/sup>de investimento em piment\u00f5es vermelhos e amarelos e ainda 2 mil p\u00e9s de piment\u00e3o verde plantados em campo aberto. Na estufa mais antiga, o cultivo foi feito em setembro e a colheita ser\u00e1 em julho\/agosto. J\u00e1 nas novas, a colheita come\u00e7a ainda este m\u00eas de abril (em torno de 10 dias). \u201cO piment\u00e3o d\u00e1 o ano inteiro, alguns meses mais, outros menos. O mercado \u00e9 muito bom, tudo o que for colhido tem mercado, tanto para os piment\u00f5es verdes, que t\u00eam pre\u00e7o menor mas tamb\u00e9m menor custo de implanta\u00e7\u00e3o, quanto os coloridos\u201d. Com 57 anos, Paulinho comemora o fato de ser dono do pr\u00f3prio neg\u00f3cio. \u201cOs piment\u00f5es possibilitaram a compra de dois terrenos em It\u00e1polis, e uma bela camionete\u201d, conta falando que a sociedade entre os vizinhos do Bairro das Antas, em It\u00e1polis, s\u00f3 tem se fortalecido ao longo destes anos. \u201cClaro, existem desafios e problemas, \u00e9 preciso estar atento \u00e0s doen\u00e7as e pragas, mas o saldo tem sido muito positivo\u201d, confirma Paulinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A vis\u00e3o e o trabalho da extens\u00e3o rural no desenvolvimento de uma atividade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria do piment\u00e3o em It\u00e1polis se mistura \u00e0 hist\u00f3ria de um extensionista que se apaixonou pela cultura de piment\u00f5es no sistema de estufas e percebeu a possibilidade de oferecer uma alternativa vi\u00e1vel e rent\u00e1vel aos pequenos produtores rurais da regi\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"caption right\"><\/p>\n<p>O engenheiro agr\u00f4nomo Silvio Carlos Pereira dos Santos<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEm 2008, no m\u00eas anterior \u00e0 minha posse no cargo de chefe da Casa de Agricultura de It\u00e1polis, disse a minha esposa que iria iniciar um projeto visando transformar It\u00e1polis em refer\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de piment\u00e3o em estufas. At\u00e9 novembro de 2007, eu trabalhava como conveniado na Casa da Agricultura de Iacanga, onde t\u00ednhamos dois projetos, o Balde Cheio, voltado \u00e0 pecu\u00e1ria leiteira e desenvolvido em parceria com a Embrapa e o Sebrae, e o projeto de produ\u00e7\u00e3o de piment\u00e3o em estufas. E l\u00e1 eu vi como o cultivo em estufas pode transformar a vida dos produtores. O tempo passado em Iacanga me fez adquirir experi\u00eancia em assist\u00eancia t\u00e9cnica em cultivo em estufas, em especial piment\u00e3o\u201d, conta o engenheiro agr\u00f4nomo S\u00edlvio, que percorre tamb\u00e9m outros munic\u00edpios vinculados \u00e0 CDRS Jaboticabal com oferta de assist\u00eancia t\u00e9cnica e promo\u00e7\u00e3o de extens\u00e3o rural nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 voz corrente no mundo agro que o trabalho desenvolvido pela extens\u00e3o rural depende de v\u00e1rios atores, principalmente da confian\u00e7a depositada no t\u00e9cnico que est\u00e1 \u00e0 frente da Casa da Agricultura, que \u00e9 o bra\u00e7o da Secretaria de Agricultura e Abastecimento que chega mais pr\u00f3ximo ao produtor rural. \u201cNo primeiro dia de trabalho em It\u00e1polis, em setembro de 2008, eu dei a sorte de conhecer o produtor Aguinaldo Rossi e nele identificar a lideran\u00e7a que me ajudaria a iniciar o projeto de produ\u00e7\u00e3o de piment\u00f5es em estufas. Foi r\u00e1pido, cheguei \u00e0s 7h20 e \u00e0s 9h j\u00e1 estava acompanhando os colegas conveniados da Prefeitura de It\u00e1polis nas visitas a campo. No caminho fui ouvindo as hist\u00f3rias e percebi que talvez fosse o momento e a pessoa certa para iniciar uma conversa e apresentar novas propostas\u201d, conta S\u00edlvio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como todo bom extensionista a conversa foi longa e ao final foi lan\u00e7ada a ideia do cultivo de piment\u00f5es em estufas e a forma\u00e7\u00e3o de uma associa\u00e7\u00e3o. Dois dias depois, o produtor Aguinaldo foi \u00e0 Casa da Agricultura dizer que, al\u00e9m dele pr\u00f3prio, j\u00e1 haviam mais dois produtores interessados em cultivar piment\u00e3o. \u201cFoi assim, com tr\u00eas produtores, que iniciamos o projeto na cidade que era conhecida como \u201ca capital nacional da laranja\u201d, com 1.600 produtores investindo em pomares de citros. A grande diferen\u00e7a entre esses produtores e os de piment\u00e3o em estufa \u00e9 que os primeiros est\u00e3o acostumados \u00e0 mecaniza\u00e7\u00e3o, ao uso de trator, aos equipamentos, etc, enquanto as estufas exigem um trabalho manual e mais dedicado no dia a dia, mas bastante interessante a quem pratica agricultura familiar. \u201cTodos os dias tinha fila de produtores esperando para fazer um financiamento tipo FEAP ou Pronaf para plantar mais laranja, e eu precisava criar uma estrat\u00e9gia para chamar a aten\u00e7\u00e3o para o cultivo de piment\u00e3o. A\u00ed todo final de semana eu ia at\u00e9 Iacanga e trazia quatro piment\u00f5es vermelhos e quatro amarelos e punha no canto da mesa. Os produtores entravam em minha sala e eu n\u00e3o precisava falar nada, atra\u00eddos pelos piment\u00f5es e curiosos come\u00e7avam a perguntar. Foi ent\u00e3o que comecei a formar pequenos grupos de excurs\u00e3o \u00e0 Iacanga para conhecer as estufas. As perguntas eram muitas: como fazer as estufas, para quem vender, como transportar at\u00e9 os centros de consumo. Eu tinha as respostas para essas perguntas e tamb\u00e9m para a mais importante que era: eu n\u00e3o entendo nada de piment\u00e3o, como vou fazer? Eu ensino\u201d, era a resposta que acabava por convenc\u00ea-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mercado comprador, a princ\u00edpio, foi 100% a Ceagesp na capital paulista. O envio era feito via transportadora e a\u00ed havia o custo do frete. Hoje, a comercializa\u00e7\u00e3o \u00e9 toda feita na pr\u00f3pria regi\u00e3o e nas Centrais de Abastecimento (Ceasas) de Ribeir\u00e3o Preto e S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, al\u00e9m de supermercados regionais. \u201cEssa transforma\u00e7\u00e3o ocorreu porque a regi\u00e3o de Jaboticabal \u00e9 produtora de frutas e os compradores que possu\u00edam packing houses de comercializa\u00e7\u00e3o de frutas se interessaram por comercializar tamb\u00e9m o piment\u00e3o, que tem mercado certo e, no inverno, ainda tem forte demanda pelos compradores da regi\u00e3o Sul do Pa\u00eds que n\u00e3o conseguem produzir devido ao frio\u201d, explica S\u00edlvio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para as primeiras conversas, o t\u00e9cnico convidou, al\u00e9m dos produtores, representantes dos boxes da Ceagesp, de transportadoras, e de uma empresa especializada em montagem de estufas. \u201cEm seguida fizemos uma excurs\u00e3o com 40 produtores ao Ceagesp, em S\u00e3o Paulo e tamb\u00e9m aos produtores de Iacanga para que pudessem tirar as d\u00favidas e ver de perto o trabalho. No in\u00edcio, foram feitas muitas capacita\u00e7\u00f5es, algumas sobre manejo e tratos e outras visando a classifica\u00e7\u00e3o e embalagem, enfim, todas visando a capacita\u00e7\u00e3o do produtor para que ele pudesse fazer a sua escolha tendo em vista toda a cadeia\u201d, refor\u00e7a Silvio. Em rela\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito para a instala\u00e7\u00e3o das estufas, estavam dispon\u00edveis as linhas do Fundo de Expans\u00e3o do Agroneg\u00f3cio Paulista (Feap) e do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) j\u00e1 conhecidas de muitos, j\u00e1 que a maioria atende aos requisitos de agricultura familiar. Todos os ajustes e acertos estavam feitos, a\u00ed foi colocar a ideia em pr\u00e1tica e o que era um desafio, um sonho, uma alternativa, virou realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cToda essa evolu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o oler\u00edcola em ambiente protegido no munic\u00edpio de It\u00e1polis deu-se ao \u00e1rduo e constante trabalho dos extensionistas da Casa da Agricultura e Regional de Jaboticabal. Nada aconteceu repentinamente, foram v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es promovendo o desenvolvimento tecnol\u00f3gico, econ\u00f4mico e social das fam\u00edlias que se dedicam \u00e0 produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de piment\u00e3o, visando gera\u00e7\u00e3o de renda e o bem estar das pessoas no campo\u201d, confirma a diretora da CDRS Regional Jaboticabal Fabiana Ferreira Gouveia.<\/p>\n<p><strong>Representatividade do piment\u00e3o em It\u00e1polis<\/strong><\/p>\n<div class=\"caption left\"><\/p>\n<p>Piment\u00e3o vermelho cultivado em estufa<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">It\u00e1polis tem, atualmente, 50 produtores envolvidos com a cultura do piment\u00e3o. S\u00edlvio diz que esse n\u00famero chegou a ser maior, 65 produtores, mas, segundo o t\u00e9cnico, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u00a0 t\u00eam reduzido a produtividade e encurtado o ciclo da cultura. \u201cDevido a essas condi\u00e7\u00f5es adversas, somadas \u00e0 aus\u00eancia de investimento em tecnologias que permitam um melhor controle clim\u00e1tico dentro das estufas, alguns produtores abandonaram a atividade\u201d, afirma. O extensionista conta que o trabalho de cultivo de piment\u00e3o n\u00e3o \u00e9 pesado em rela\u00e7\u00e3o a outros, mas exige muito capricho e dedica\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c0 medida que os produtores v\u00e3o aumentando o n\u00famero de estufas, a necessidade de m\u00e3o de obra tamb\u00e9m aumenta e muitos, vindos da agricultura familiar, relutam em contratar funcion\u00e1rios. Com isso, os tratos culturais se tornam deficientes, resultando em pragas e doen\u00e7as. Enfim, \u00e9 um cultivo que exige disciplina do produtor, pois h\u00e1 necessidade de um monitoramento di\u00e1rio; os tratos culturais n\u00e3o podem ser deixados para outro dia, pois dificilmente se consegue reverter uma situa\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel, j\u00e1 que as hortali\u00e7as em geral possuem um metabolismo intenso e um ciclo r\u00e1pido\u201d, ensina o extensionista, que continua sendo um incentivador do cultivo, pois h\u00e1 mercado e podem ser obtidos bons resultados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Silvio salienta a importante contribui\u00e7\u00e3o do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, do Sindicato Rural de It\u00e1polis, do Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Rural, da Prefeitura Municipal de It\u00e1polis, de empresas da iniciativa privada parceiras e o apoio da CDRS Jaboticabal para o sucesso do projeto. Mais recentemente a Associa\u00e7\u00e3o dos Engenheiros, Arquitetos e Agr\u00f4nomos de It\u00e1polis e os pesquisadores da Ag\u00eancia Paulista de Tecnologia dos Agroneg\u00f3cios (Apta\/SAA) e da Empresa Brasileira de Tecnologia Agropecu\u00e1ria (Embrapa) tamb\u00e9m se juntaram para dar suporte aos produtores. Em 2019, devido a essa parceria, foi realizada em It\u00e1polis a primeira capacita\u00e7\u00e3o no Brasil para forma\u00e7\u00e3o de auditores e assistentes t\u00e9cnicos da Produ\u00e7\u00e3o Integrada (PIF) de piment\u00e3o. \u201cRealmente tem sido um trabalho em equipe\u201d, orgulha-se S\u00edlvio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro dado importante a ser considerado \u00e9 que em outras regi\u00f5es produtoras, como Santa Cruz do Rio Pardo, Bauru e Lins, o desenvolvimento da cultura ocorreu da mesma forma. Um in\u00edcio mais lento, depois um boom com um crescimento r\u00e1pido, a seguir um decl\u00ednio para enfim ter uma estabiliza\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 natural que haja essa sele\u00e7\u00e3o dos produtores mais engajados, isso ocorre em todas as \u00e1reas\u201d, comenta S\u00edlvio. E \u00e9 justamente essa conquista e uniformidade que torna uma regi\u00e3o conhecida e respeitada por um determinado produto. Assim \u00e9 It\u00e1polis, com a hist\u00f3ria do piment\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Piment\u00e3o \u00e9 ingrediente que confere sabor diferenciado aos mais variados pratos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO piment\u00e3o possui baixo valor cal\u00f3rico e tem sabor caracter\u00edstico e acentuado, podendo ser usado para dar mais sabor \u00e0s prepara\u00e7\u00f5es\u201d, esta \u00e9 a palavra da nutricionista da Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agroneg\u00f3cios (Codeagro), Sizele Rodrigues.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas al\u00e9m disso, Sizele explica que o piment\u00e3o possui uma subst\u00e2ncia chamada capsaicina, que tem a\u00e7\u00e3o analg\u00e9sica, energ\u00e9tica, digestiva, vasodilatadora e antioxidante. E, ainda, cont\u00e9m vitaminas C e A e minerais como o c\u00e1lcio, f\u00f3sforo e ferro. Ou seja, \u00e9 um alimento muito rico, usado nas mais diversas culin\u00e1rias. \u201cDevido \u00e0 sua rica composi\u00e7\u00e3o, o vegetal tem propriedades que beneficiam a pele, as unhas e os cabelos e ainda exerce uma importante fun\u00e7\u00e3o de fortalecimento do sistema imunol\u00f3gico, t\u00e3o importante em todos os tempos\u201d, evidencia a nutricionista.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Piment\u00f5es que coloriram a vida dos produtores rurais de It\u00e1polis come\u00e7am a ser colhidos na safra deste ano 16\/04\/2021 Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o Extens\u00e3o RuralProdutores RuraisestufaPiment\u00e3o amarelocultura de piment\u00f5es Voc\u00ea precisa habilitar o Javascript em seu navegador para que este site funcione e seja exibido completamente. 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