Em Piracicaba, cadeia produtiva debate soluções para conservação do solo e da água e controle da mosca-dos-estábulos

Postado em: 25/08/2016 ás 15:57 | Por: Leonardo

 

Evento reuniu técnicos de EDRs e EDAs, pesquisadores, produtores rurais e representantes de usinas no Parque Tecnológico de Piracicaba (Foto: João Luiz/SAA)O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, destacou a importância de buscar a sintonia entre o Estado e os municípios para enfrentar os desafios do setor sucroalcooleiro, promover a conservação do solo e da água nas áreas de cultivo e controlar os prejuízos causados pela mosca-dos-estábulos, cuja incidência tem sido mais frequente em locais onde há o acúmulo de resíduos agroindustriais, como a vinhaça e a torta de filtro, associados à palha da cana.

“Quando há uma grande evolução como ocorreu com a mecanização da colheita da cana-de-açúcar, surgem novos desafios. Precisamos manter uma boa sintonia com os municípios para que o nosso trabalho funcione”, afirmou Arnaldo Jardim, durante a reunião para apresentação das recomendações técnicas realizada no dia 24 de agosto de 2016, no Parque Tecnológico de Piracicaba.

O evento reuniu centenas de produtores, representantes de usinas, pesquisadores e técnicos dos Escritórios de Defesa Agropecuária (EDA) e de Desenvolvimento Rural (EDR) das regionais de Limeira, Sorocaba, Mogi Mirim, Campinas e Piracicaba. “Temos aqui representantes da defesa agropecuária que além do papel de fiscalizar, tem ajudado a formatar novas normas de conservação, e da extensão rural e assistência técnica, que orientam os produtores. Nosso trabalho tem sido o de percorrer o Estado para comunicar, cobrar a aplicação das normas já estabelecidas e aperfeiçoar as práticas. Aproximar o conhecimento gerado por meio da pesquisa do setor produtivo é uma das diretivas do governador Geraldo Alckmin para a Pasta”, continuou.

Conservação do solo

Novas práticas para a conservação do solo e das águas nas áreas de cultivo da cana-de-açúcar foram atualizadas e compiladas no Boletim Técnico “Recomendações de Práticas Conservacionistas para a Cultura da Cana-de-Açúcar”, apresentado aos participantes da reunião pela pesquisadora da Secretaria que atua no Instituto Agronômico (IAC) Isabella Clerici De Maria. O documento foi elaborado com auxílio de consulta pública e atualmente passa por uma revisão e será disponibilizada em breve.

“As mudanças no sistema de manejo da cana-de-açúcar provocaram impacto no solo e isso se relaciona principalmente ao aumento da mecanização, o que passou a ser uma preocupação de todo o setor. Nas diferentes condições de paisagens, temos várias práticas e três estratégias principais, que são o aumento da cobertura e da infiltração e o controle do escoamento superficial”, explicou a pesquisadora, ressaltando que esses fundamentos embasarão a elaboração de projetos para atender às necessidades de cada área. “Precisamos avaliar áreas em que há essa integração de práticas, por isso dependemos da participação de todo o setor”, disse. No evento, o pesquisador André Vitti apresentou as características do trabalho da Secretaria, alertando sobre a necessidade de observar a topossequência de solos em cada região do Estado.

Mosca-dos-estábulos

Secretário Arnaldo Jardim ressaltou importância da sinergia entre Estado e municípios para enfrentar novos desafios do setor (Foto: João Luiz/SAA)Apesar de não ter ainda uma solução definitiva, a elevada incidência da mosca-dos-estábulos especialmente na região oeste do Estado, - onde o solo argiloso dificulta a infiltração da vinhaça- exige a discussão e adoção de ações imediatas para evitar possíveis focos de larvas, conforme orientaram os pesquisadores da Secretaria durante palestra sobre o tema.

Para o diretor técnico do EDR de General Salgado, Sidney Ezídio Martins, um dos palestrantes do evento, o controle da mosca deve envolver tanto os produtores como os representantes das usinas. “As condições ideais para o desenvolvimento da mosca são as altas temperaturas, a umidade e a presença de matéria orgânica em decomposição. E os estudos constataram que a vinhaça associada à palha tem causado explosões de surto do inseto. É importante que a vinhaça seja aproveitada como um subproduto, receba tratamento adequado e não seja apenas descartada como um resíduo do processo”, ressaltou Martins, lembrando que a picada do inseto hematófago causa dor e incômodo, transmite doenças, ocasiona a perda de 15 a 20% de peso do gado e queda de até 60% na produção de leite.


Para o pesquisador, com a suspensão da queimada é preciso estar atento para evitar o empoçamento do líquido no solo, visto que a larva se desenvolve no período de 48 horas. Às usinas, o especialista recomenda a escarificação e a subsolagem da palha antes do despejo da vinhaça, bem como promover a manutenção periódica dos sistemas de aplicação da vinhaça; vistoriar as áreas e, se necessário, fazer a drenagem e aplicação de calcário nas poças.


“Já os pecuaristas devem adotar boas práticas sanitárias, com a limpeza e remoção de dejetos e resíduos animais; eliminar o uso de cama de frango ou adubos orgânicos nas áreas consideradas de maior risco para o surgimento de larvas e utilizar armadilhas para controle do inseto”, explicou.


Debates

A participação de todos os agentes da cadeia produtiva da cana-de-açúcar evidenciOU a importância do debate dos temas na busca por melhores práticas. Para o diretor técnico do Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) de Piracicaba, Sérgio Rocha Lima Diehl, o debate é extremamente oportuno, visto que a região de Piracicaba é uma das mais tradicionais da cana no Estado. “Essa discussão é muito bem-vinda, é preciso divulgar as práticas já estabelecidas no Boletim Técnico, por meio das Casas de Agricultura e até dos produtores mais refratários. Com a mecanização da colheita, precisamos estabelecer a utilização do terraço”, disse.

“Mais uma vez a reunião mostra que é preciso haver uma integração entre todos os componentes da cadeia para buscarmos soluções para esses novos desafios ao setor”, disse o médico veterinário Fernando Gomes Buchala, titular da Coordenadoria de Defesa Agropecuária.

Apesar da pecuária não ser atividade tradicional da região, o diretor técnico do Escritório de Defesa Agropecuária (EDA), Rui Marcos Lopes Corrêa, ressaltou que as orientações sobre o controle da mosca-dos-estábulos são uma medida preventiva para conscientizar os produtores e representantes das usinas sobre a destinação dos resíduos do processo produtivo do açúcar e etanol. “Nossa atribuição é fiscalizar a utilização do solo e esses eventos são importantes para trazer as inovações em pesquisas e tecnologia. Esperamos que haja uma elucidação das práticas aos produtores para que não haja a necessidade de ações punitivas”, disse.
Pesquisador André Vitti fala sobre a topossequência do solo paulista (Foto: João Luiz/SAA)“Ambos os temas se referem a trabalhos em andamento e por meio da realização dos debates e participação de todos poderemos buscar alternativas para resolver as questões”, afirmou o responsável pela Assessoria Técnica da Secretaria José Luiz Fontes.

Para o presidente do Sindicato Rural de Leme, Orlando Sbrissa, a participação na atividade é fundamental para aumentar o conhecimento e buscar soluções para os problemas que afetam todo o setor agropecuário. “É importante conservarmos o solo cultivado, pois dependemos dele para termos a nossa produção e sustento”, afirmou o representante dos produtores rurais de cana, milho, soja e laranja.

O produtor de gado e plantas artesanais Rosivaldo Caetés, de Santa Bárbara d’Oeste, participou da reunião para se informar sobre as novas tecnologias disponíveis. “Inclusive, cultivo a erva-de-santa-bárbara, que pode ser uma alternativa medicinal para combater a mosca-dos-estábulos”, explicou.

As próximas reuniões técnicas sobre os temas serão realizadas em Lençóis Paulista, no dia 2; em São José do Rio Preto, no dia 15; em Ourinhos, no dia 16 de setembro.

O evento teve ainda a presença do presidente da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo  (Coplacana), Arnaldo Bortoletto; do deputado estadual Roberto Moraes; do representante da CDA em Araçatuba, Luiz Henrique Barrochelo; e do diretor do Polo Centro Sul da Apta, Fábio Dias.

Por: Paloma Minke

Fotos: João Luiz

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