Biofábrica para controle biológico em flores é inaugurada em Arujá

Postado em: 23/08/2016 ás 13:07 | Por: Leonardo

Secretário-adjunto Rubens Rizek Jr. participou da cerimônia de abertura da 25ª Expo AflordO secretário-adjunto da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Rubens Rizek Jr., inaugurou a biofábrica para produção de ácaros-predadores, que utiliza a tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores do Instituto Biológico (IB), da Pasta, durante a 25ª Expo Aflord, em 20 de agosto de 2016, em Arujá.

A biofábrica construída pela Associação dos Floricultores da Região da Via Dutra (Aflord) tem capacidade para produção de 180 mil ácaros predadores por semana, aproximadamente, das espécies Phytoseiulus macropilis, um ácaro considerado especialista, que ataca apenas o ácaro-rajado, e Neosiulus californicus, um ácaro generalista, para o controle de outras pragas. A produção pode atender, inicialmente, em torno de 100 produtores de flores. A biofábrica, porém, tem capacidade para aumentar em 20 vezes essa produção.

O ácaro-rajado é uma praga de 0,5 mm que ataca mais de 1200 espécies de plantas, como algodão, feijão, morango, mamão, pêssego e flores e plantas ornamentais. O Instituto Biológico trabalha para controle desse ácaro com o uso de predadores naturais. “Após a liberação desses predadores, caso o produtor precise usar produtos químicos para controle de outra praga, como inseto e lagarta, ele pode fazer a aplicação, sem ter o risco de matar os predadores liberados”, explicou o pesquisador do IB, Mario Eidi Sato. As populações de predadores utilizadas nas liberações se mostram resistentes a vários inseticidas e acaricidas.

A transferência de tecnologia realizada pelos pesquisadores do IB solucionou um problema que causava prejuízos aos floricultores de Arujá, na Grande São Paulo. Apesar do uso elevado de produtos químicos, os agricultores não conseguiam controlar os ácaros que atacavam as plantas. A solução foi o uso do controle biológico, em que o predador natural da praga realiza o seu controle.

Rubens Rizek acompanhado da equipe do Instituto Biológico na Expo AflordA instalação da biofábrica contou com a assessoria técnica do Instituto Biológico. “A partir dos resultados e com o objetivo de fornecer inimigos naturais de forma mais viável economicamente, a Aflord iniciou um projeto piloto para a criação de ácaros-predadores nas suas instalações. O objetivo é ajudar na produção sustentável de flores dos seus associados, reduzindo o uso de agrotóxico em seus cultivos”, explicou Nancy Miura de Moraes, engenheira agrônoma da Associação.

Com o uso do controle biológico é possível reduzir em até 70% a aplicação de acaricidas em gérberas e crisântemos e até mesmo eliminar o uso dos produtos em rosas e orquídeas. “Quando se pensa em diminuição de uso de defensivos agrícolas, economia de mão de obra, produção sustentável e segurança do trabalhador rural, remete-se ao controle biológico, que hoje já é uma realidade na agricultura e deve ser cada vez mais utilizado pelos produtores rurais”, afirmou Antônio Batista Filho, diretor do Instituto Biológico.

A redução no uso de acaricidas reduz custos de mão de obra na aplicação. “O produtor precisa avaliar que apesar do elevado valor dos predadores, que chega a R$ 100,00 por frasco de 2.000 ácaros predadores, se comparado com o acaricida, há redução de mão de obra e horas de trabalho para o tratamento. Após a liberação dos predadores, só precisará ser feito o monitoramento”, afirma Sato.

Rizek conheceu a biofábrica ao lado do diretor do IB, Antonio Batista Filho (terno cinza)Outro ponto importante do controle biológico é a redução do impacto ambiental. Alguns produtores chegam a aplicar acaricidas três vezes por semana. O uso incorreto de produtos químicos pode contaminar o solo e a água.

O pesquisador do IB disse que o uso constante de produtos químicos, chamados de acaricidas, selecionaram os ácaros resistentes, o que diminuiu o efeito dos produtos. “Com aplicação exclusiva de produtos químicos, alguns produtores estão obtendo níveis de controle abaixo de 20% para diversos acaricidas. Com a adoção de estratégia de manejo, incluindo uso do controle biológico, proposta pelo IB, é possível chegar a um controle efetivo da praga, acima de 80% de eficácia, com uso mínimo de acaricidas” comentou.

Os trabalhos com os produtores de orquídea do Alto Tietê, cooperados da Aflord, iniciaram em junho de 2015. Na época, os floricultores aplicavam três tipos de acaricidas, duas vezes por semana, sem sucesso. Com a liberação de predadores, conseguiram eficiência de controle superior a 95%. “Esse trabalho foi de grande importância, pois serviu para quebrar paradigmas e demonstrar que o controle biológico de pragas funciona, desde que manejados corretamente”, ressaltou a engenheira agrônoma da Aflord, Sandra Shinoda.

Com o aumento na procura por ácaros predadores, diversas empresas ou associações começaram a produzir e oferecer os inimigos naturais aos agricultores, reduzindo o valor dos predadores, tornando a tecnologia mais acessível para os produtores de diferentes culturas, das diversas regiões do País.

“O controle biológico é ambientalmente amigável, ao contrário dos produtos químicos, não provoca resistência, o que, desse ponto de vista, o torna mais eficiente e até mais barato. Isso é o futuro, tecnologia de ponta, desenvolvida pelo nosso Instituto Biológico, que é o orgulho dos paulistas e brasileiros” afirmou Rubens Rizek Jr.

Secretário-adjunto acompanhado da equipe do Instituto Biológico presente no evento.

A tecnologia pode ser utilizada em todo País. Sato afirmou, porém, que no momento, é mais viável para cultivos em pequena escala e em ambientes protegidos, com destaque para as regiões Sudeste e Sul do País. “Ainda há pouca disponibilidade de ácaros predadores no mercado para atender todas as regiões brasileiras, principalmente, para cultivos em larga escala”, disse.

 

Por Paulo Prendes, Fernanda Domiciano e Nara Guimarães

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